Dois residentes de Hong Kong iniciaram esta quarta-feira uma maratona cujo percurso tem a forma de um chapéu-de-chuva gigante, como forma de demonstrar apoio aos protestos pró-democracia.

 

Os dois homens planeiam correr 102 quilómetros em 15 horas, num percurso que os vai levar aos trilhos montanhosos da cidade acabando no principal local dos protestos, junto à sede do Governo.

 

Hong Kong é uma cidade sitiada por chapéus-de-chuva, por jovens acampados em avenidas, desafiando o governo chinês num processo de resiliência que os faz dormir ao relento.

 

John Ellis e Andrew Dawson, ambos adeptos de maratonas, explicaram que queriam mostrar solidariedade com os que estão acampados nas ruas para pedir democracia plena para a antiga colónia britânica.

 

Enquanto isso, a Federação de Estudantes de Hong Kong, uma das principais organizações que há um mês promove os protestos pró-democracia com a ocupação de alguns pontos da cidade, exigiu ao Governo negociar diretamente com o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang.

 

De acordo com a RTHK, a estação pública de Hong Kong, a Federação de Estudantes está dececionada com o diálogo encetado há uma semana com representantes do Executivo local liderados por Carrie Lam, a Secretária-chefe, e sublinha, em comunicado, esperar que o Governo «organize um encontro com o primeiro-ministro Li Keqiang», citado da Lusa.

 

A Federação, presidida por Alex Chow, argumenta que no diálogo de 21 de outubro Carrie Lam assegurou que não estava nas mãos do Governo local mudar o sistema eleitoral da antiga colónia britânica.

 

Mas o regime chinês não desiste e quer ganhar a batalha aos jovens. Nem que para isso alguns sirvam de exemplo. É o caso de um deputado pró-Pequim de Hong Kong que corre o risco de perder o seu lugar num influente órgão governamental chinês depois de ter criticado o chefe do Executivo do território.

 

Segundo o também deputado Michael Tien, o seu irmão James, um proeminente empresário e político, está em risco de ser expulso da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) devido às afirmações que fez sobre o chefe do Executivo de Hong Kong, Leung Chun-ying, e que o fizeram parecer desleal.

 

O comité permanente deste prestigioso órgão, que aconselha o Governo chinês em termos de políticas, vai hoje votar sobre o destino de Tien.