A polícia de Hong Kong desmantelou esta sexta-feira um acampamento de manifestantes pró-democracia, no bairro densamente povoado de Mong Kok. Ao contrário das notícias das últimas três semanas, que davam conta de intensos confrontos sempre que os dois lados estavam frente a frente, desta vez não. As autoridades encontraram pouca resistência. Há cada vez menos acampados no local. De qualquer modo, isso não impediu que, algum tempo depois, os manifestantes voltassem à ação.

As autoridades conseguiram retirar barricadas e tendas, segundo constatou a AFP, com o local já praticamente vazio quando a polícia agiu. Mong Kok foi, no entanto, um dos principais palcos de violentos confrontos entre manifestantes e opositores do movimento pró-democracia.

Apesar de a polícia ter restabelecido o tráfego em algumas zonas, os manifestantes voltaram à ação. Pouco depois das 09:00 (04:00 em Lisboa) chegaram mais pessoas para tentar impedir que o reduto do movimento na península de Kowloon desapareça.

O clima de aparente disponibilidade da parte do líder de Hong Kong para negociar com os estudantes foi retomado na quinta-feira. Ao que tudo indica, o Governo tem esperança que as conversações se possam realizar na próxima semana. O líder da Federação de Estudantes, Alex Chow, manifestou abertura para o encontro com o governo, esperando que as negociações «mostrem as suas cores verdadeiras», cita o «Los Angeles Times».  

«Logo após o diálogo, saberemos se este governo ainda é responsável perante o seu povo, vamos saber se o governo ainda luta pelo seu povo, e se ainda tem o direito de ser o nosso governo», concretizou.

Já no início de outubro, a ideia era encetar negociações mas, nesse dia, as autoridades de Hong Kong decidiram romper com tudo, alegando que era impossível encetar um diálogo construtivo. De lá para cá, têm havido vários confrontos entre manifestantes e homens mascarados, e com a polícia, que deteve várias pessoas. 

O líder dos estudantes duvida da sinceridade do governo. Quer esperar para ver.