Várias centenas de manifestantes continuavam esta sefgunda-feira concentrados em vários pontos de Hong Kong à espera que o Governo local e as associações estudantis acordem os termos do diálogo político, numa altura em que os funcionários públicos regressaram ao trabalho.

Cerca de três mil funcionários da Administração Pública de Hong Kong voltaram ao trabalho nos edifício cujas ruas adjacentes foram tomadas por milhares de estudantes que contam já nove dias acampados no local.

As imediações da sede do Governo, lugar onde estiveram concentrados sem descanso milhares de estudantes, amanheceram com poucas dezenas de manifestantes.

Depois da tensão das últimas semanas, o comandante da polícia de Hong Kong que decidiu utilizar gás lacrimogéneo contra os manifestantes pró-democracia que ocupavam o centro da cidade a 28 de setembro, disse não ter arrependimentos e garantiu que voltaria a dar a ordem. «Não tenho arrependimentos. Se não tivesse usado [o gás], e eles tivessem passado [o cordão policial], podíamos ter tido feridos graves ou pior», explicou, referindo-se aos acontecimentos de 1992, quando 21 pessoas morreram esmagadas em Lan Kwai Fong. De acordo com o jornal «South China Morning Post», o superintendente era o responsável pela zona de Admiralty naquela noite.

Hong Kong é um problema «mundial»

Os protestos levados a cabo por jovens que ocupam as ruas de Hong Kong podem prejudicar a economia da cidade, bem como a da China, mas a escala do impacto depende de quanto tempo durar a «incerteza», disse Sudhir Shetty, o principal economista asiático do Banco Mundial.

Segundo Sudhir Shetty, o Banco está a observar atentamente os acontecimentos em Hong Kong, onde milhares de manifestantes pró-democracia paralisaram avenidas do centro da cidade, levando a um impasse tenso com o Governo.

«Obviamente que nós, como qualquer outro grupo de analistas económicos, estamos a observar atentamente a situação e o seu impacto», disse em declarações aos jornalistas em Singapura.

Já o «Diário do Povo», jornal do órgão central do Partido Comunista chinês, é mais direto e acusa os manifestantes de Hong Kong de «fazerem retroceder a democracia». O jornal renovou as suas críticas ao movimento pró-democracia em três artigos diferentes.

«É um princípio básico da democracia não se permitir que uma pequena minoria viole o espaço público e o interesse público através de meios ilegais», escreve o jornal, como cita a Lusa.

Será o princípio do fim ou esta guerra geracional ainda estará só no início? Terão os jovens perdido a guerra ou só a batalha?

A decisão sobre o rumo dos protestos em Hong Kong está agora nas mãos do Governo e na disponibilidade para o diálogo que for demonstrada, defende o presidente da Federação dos Estudantes, Alex Chow.
Se um encontro do Governo com os manifestantes acontecer entre hoje e amanhã, será recebido como um sinal de sinceridade, diz o ativista ao jornal «South China Morning Post».

No entanto, se for adiado para mais tarde, vai suscitar dúvidas sobre a integridade do Governo e a sua sinceridade no que toca à disponibilidade para dialogar.