Milhares de pessoas protestaram este domingo no Brasil contra o governo de Michel Temer. As maiores manifestações ocorreram em São Paulo, no Rio de Janeiro e em São Salvador. Só em São Paulo, cerca de 100.000 pessoas saíram à rua, enchendo a Avenida Paulista, segundo os números avançados pela organização.

Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro fizeram esquecer por vários dias a atribulada situação política que se vive no Brasil. Mas esta semana, o país voltou a mergulhar num ambiente de enorme tensão, depois de Dilma Rousseff ter sido oficialmente destituída do cargo de Presidente da República.

O processo de impeachment de Dilma foi consumado na quarta-feira e, desde então, vários protestos tiveram lugar nas maiores cidades brasileiras. O novo Presidente brasileiro, Michel Temer, que se encontra na China para a cimeira do G20, desvalorizou as ações, considerando que se tratavam de “grupos pequenos de 40 a 100 pessoas”.

Este domingo, porém, as imagens não deixam margens para dúvidas: não foram grupos pequenos, mas milhares de brasileiros que encheram as ruas com cartazes e palavras de ordem.

“Fora Temer” foi o lema que uniu os manifestantes, que exigem a saída de Michel Temer da Presidência e a realização de novas eleições diretas no país.

 

As marchas começaram durante a tarde de domingo de forma pacífica.

Em São Paulo, porém, registaram-se vários confrontos entre a polícia militar e os manifestantes já no final do protesto, que encheu a Avenida Paulista e terminou no Largo da Batata.

Neste largo, um grupo de manifestantes queimou um caixão com um o rosto de Michel Temer, encenando o "funeral" do Presidente. 

A polícia militar lançou gás lacrimogénio e balas de borracha para dispersar os manifestantes e vários jornalistas foram apanhados na confusão. O fotógrafo Maurício Camargo foi atingido e um jornalista da BBC Brasil contou que foi agredido pela polícia.

Ainda antes dos protestos, a polícia civil deteve na zona sul de São Paulo 26 pessoas, incluindo oito menores, sem explicar os motivos para estas detenções. Os detidos encontravam-se em dois grupos perto do centro cultural e, ao início desta manhã, mais de doze horas depois da detenção, ainda não tinham sido libertados, segundo o G1.