É algo inédito em Espanha e muito raro a nível mundial. A Polícia Nacional informou ter desarticulado uma rede internacional de exploração sexual masculina, em que as vítimas (entre 60 e 80 homens na casa dos vinte anos) eram captadas principalmente na região brasileira do Maranhão e obrigadas a prostituir-se durante 24 horas por dia.

As viagens de avião para a Europa eram pagas por cartões de crédito clonados. Primeiro viajavam para outros países e daí para Espanha, onde eram posteriormente distribuídos por diferentes habitações, segundo as necessidades da redes, escreve o jornal «El País». Em alguns locais, como em León, partilhavam clubes com mulheres. Aliás, nesta rede também foram identificadas mulheres e alguns transexuais.

Segundo os dados da polícia, os homens era obrigados a prostituir-se 24 horas por dia, usando várias drogas para se manterem activos (cocaína, popprer e Viagra). A maior parte da clientela era também ela constituída por homens de todas as idades.

A polícia deteve 14 pessoas, quase todas brasileiras. Estão acusadas de delitos contra os direitos dos cidadãos estrangeiros relativos a prostituição, contra os direitos dos trabalhadores a associação ilícita.

A maioria das vítimas pensava que iria trabalhar como dançarinos em clubes de strip ou como modelos, embora alguns estivessem conscientes que iriam trabalhar na prostituição. Neste caso, o engano aconteceu ao nível das condições de trabalho. Num primeiro momento, asseguravam-lhe que apenas teriam de pagar o bilhete de avião, mas chegavam a exigir quatro mil euros.

As vítimas tinham de entregar ao «dono» uma renda do apartamento em que trabalhavam, metade do que ganhavam e ainda mais 200 euros pelo alojamento e manutenção. Recebiam ameaças de morte constantemente.