O autodenominado Estado Islâmico aumentou, nos últimos dias, o avanço sobre a Líbia. Além de ter realizado execuções, o grupo jihadista rapidamente impôs certas restrições sobre o uso de instrumentos musicais e o consumo de tabaco.

De acordo com o «The Jerusalem Post», elementos do grupo jihadista queimaram nas ruas da província líbia de Barqa uma pilha de instrumentos musicais e dezenas de caixas de cigarros.



Os materiais foram confiscados pela «polícia» do grupo jihadista e foram posteriormente queimados em público. Além disso, as imagens foram divulgadas pela divisão de propaganda do Estado Islâmico.

A mensagem divulgada com as imagens explica: «Hesbah apreendeu estes instrumentos musicais não-islâmicos no Estado de Warqa (chamamos-lhe a cidade de Derna). A mesma mensagem acrescenta que foram «queimados de acordo com a lei islâmica».

De acordo com a interpretação que o grupo jihadista faz da lei islâmica, a música instrumental é rigorosamente proibida.


 
Os recrutas do Estado Islâmico na Líbia não são os primeiros a queimar instrumentos. No início deste ano, a polícia religiosa foi filmada a agredir músicos e a destruir-lhes os instrumentos por estarem a tocar num «teclado não-islâmico». Os homens foram fotografados a ser agredidos nas costas e nas pernas com um pau numa praça pública na Síria depois de ter sido decretado que o teclado elétrico é «ofensivo para os muçulmanos».

Outra foto mostra dois teclados e o que parece ser um alaúde feitos em pedaços depois de ataques que se pensa terem ocorrido em Bujaq, a poucos quilómetros ao Leste de Aleppo, na Síria.



De acordo com o «Dialy Mail», estas últimas imagens da Líbia são as mais recentes de uma «ofensiva de propaganda» que está a ser lançada pelo ramo local do grupo Estado Islâmico.
 
O grupo jihadista, e a sua marcha através da Líbia, foi trazido de volta para a ribalta com a divulgação de um vídeo de cinco minutos que mostra o assassinato de um grupo de cristãos coptas. Os homens foram decapitados pelos extremistas na praia de Sirte, tendo sido filmado o sangue a escorrer para o Mediterrâneo.

Desde então, foram divulgadas fotos e um vídeo que mostra uma frota de veículos da marca Toyota Land Cruisers exibindo bandeiras negras do Estado islâmico enquanto desfilam de forma coordenada pelas ruas da Líbia.

 

O grupo extremista tomou o controlo de quatro grandes cidades ao longo da costa da Líbia, unindo forças com grupos que se formaram após a queda de Muammar Kadafi.

Enquanto isso, o Governo internacionalmente reconhecido da Líbia fugiu para Ţubruq, perto da fronteira com o Egito, a duas horas e meia de distância de carro do local onde os instrumentos musicais foram supostamente queimados.

O Estado Islâmico partilha o controlo de Ţubruq e da capital Trípoli com outros grupos rebeldes.

Perante o avanço do grupo terrorista no país, o Governo líbio solicitou a anulação do embargo de armas da ONU, de modo a «ajudar a reforçar a capacidade militar nacional» na luta contra o Estado Islâmico.

As forças líbias estão a trabalhar com a coligação internacional para tentar livrar o país da influência do Estado Islâmico.