O presidente da Associação Nacional dos Diretores Escolares (ANDE), Manuel Pereira, alertou esta segunda-feira para as possíveis complicações nas convocatórias para vigilância da prova de avaliação dos professores contratados, agendada para terça-feira, devido ao período de férias.

«Tentaremos chamar apenas aqueles que ainda estão ao serviço, mas pode acontecer ser necessário interromper as férias dos professores», admitiu, em declarações à Lusa.

O dirigente associativo sublinhou que o papel dos diretores é, neste momento, «complicado», porque têm de «garantir os direitos das duas partes», ou seja, que os professores contratados que assim o desejem possam fazer a prova sem perturbações, e que os professores efetivos possam participar nas reuniões sindicais convocadas para a manhã de terça-feira.

O representante dos diretores criticou o prazo de três dias úteis dado pelo ministério às escolas para se organizarem e convocarem os professores para vigiar as provas, classificando a atitude da tutela como «pouco transparente» e «um desrespeito pelo trabalho das escolas», que «demonstra falta de consideração».

«Independentemente da opinião que se possa ter sobre a Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades em si, os diretores tudo farão para que a prova corra com normalidade», garantiu Manuel Pereira.

Já o presidente da Associação Nacional de Professores Contratados, César Paulo, adiantou, por seu lado, que está em stand by para ver como as coisas vão correr na terça-feira, sublinhando que se trata de uma situação pontual, em que cada professor irá tomar a sua própria decisão.

«Trata-se de situações pontuais, porque cada professor toma a sua própria decisão. É uma situação anómala o cerco ou boicote à prova», explicou César Paulo, considerando que a marcação da prova tão ¿em cima da hora¿ é um «desrespeito» para com os professores contratados.

«No dia em que foi anunciada a realização da prova pelo Ministério da Educação ficámos incrédulos, por muitas razões, mas sobretudo pelo desrespeito», disse César Paulo.

«É importante realçar também que o MEC é o único que acredita que a prova serve para alguma coisa, mas descredibilizou-a ao marcá-la com 72 horas de antecedência, e também ao retirar a componente científica, deixando somente a componente comum», explicou.

Questionada pela Lusa, fonte oficial do ministério sublinhou que «a prova é um requisito obrigatório para todos os concursos de seleção e recrutamento de professores», como define a legislação em vigor, e que se trata também de «um direito dos que se encontram nessa situação», que deve ser garantido.

O movimento de professores «Boicote&Cerco» está a organizar reuniões de docentes em vários espaços comerciais ou frente a escolas, em 15 cidades, para preparar os protestos de terça-feira. «As movimentações nas redes sociais estão ao rubro. Prevê-se uma adesão muito grande», disse à Lusa o professor Francisco Rodrigues, do movimento «Boicote&Cerco».

As reuniões de docentes decorreram em Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real, Viseu, Coimbra, Barreiro, Évora, Guarda, Faro e Guimarães no domingo e em Almada, Lisboa e Beja realizam-se hoje ao final da tarde.

O movimento admitiu na sexta-feira voltar a invadir escolas para impedir a realização da nova chamada da prova de avaliação de docentes e apelou aos professores vigilantes para boicotarem o exame.