A Comissão Europeia decidiu hoje recomendar ao Conselho Ecofin o encerramento do Procedimento por Défice Excessivo (PDE) contra a Grécia, depois dos “esforços substanciais” feitos pelo país “nos anos recentes” para consolidar as finanças públicas.

Este é um momento muito simbólico para a Grécia. Após tantos anos de sacrifícios do povo grego, o pais está finalmente a recolher os frutos dos seus esforços. Depois do pagamento de 7,7 mil milhões de euros na segunda-feira como resultado da conclusão da segunda revisão (do programa de assistência), a proposta de hoje da Comissão Europeia é o reconhecimento da redução enorme do défice orçamental da Grécia, para níveis inferiores à média da zona euro”, comentou o comissário europeu dos Assuntos Financeiros, Pierre Moscovici.

Esta decisão surge, praticamente, um mês depois de outra, muito importante para Portugal: a Comissão decidiu no mês passado recomendar o encerramento do PDE aplicado a Portugal depois de o país ter reduzido o seu défice para 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016, abaixo da meta dos 3% inscrita no PEC, e na sequência das suas previsões económicas, que antecipam que o país continuará com um défice abaixo daquele valor de referência em 2017 e 2018, assegurando assim uma trajetória sustentável do défice.

No ano passado, Portugal alcançou o défice mais baixo desde 1975. O saldo primário situou-se em 2,2% do PIB.  Em 2017, o Governo estima que o défice seja reduzido para 1,5% e que o excedente primário se situe em 2,7%.

A Grécia foi dos países mais fustigados pela crise. Em 2015, o país, que era um dos que mais puxava para baixo os mercados financeiros, serviu de argumento ao então primeiro-ministro, Passos Coelho, para parte do problema que Portugal também atravessava.