A prisão de Quenzon, nas Filipinas, acolhe atualmente 4.000 reclusos que se distribuem por um espaço muito reduzido, que deveria receber somente 800 pessoas. Este estabelecimento prisional dos arredores de Manila, a capital do país, é um exemplo da sobrelotação resultante da mega-operação de combate ao tráfico de droga.

De acordo com registos obtidos pela CNN, as atividades permitidas nesta prisão são muito reduzidas para que os poucos guardas possam controlar as ações dos reclusos. “Aqui os homens passam os dias sentados, de cócoras ou em pé, sufocados pelo calor de Manila”, referiu o jornalista da CNN que visitou o local.

Cada cela tem 18 metros quadrados e pode acolher até 85 reclusos. Há divisões maiores que as celas, desenhadas para lá dormirem até 30 pessoas. Agora, dormem 131.

Os beliches têm três andares e de baixo deles dormem os que não conseguem arranjar um colchão. Esta situação poderia ser temporária para alguns, mas o sistema judicial das Filipinas demora anos a sentenciar os réus.

São 20 guardas por turno, que asseguram a ordem, controlando como podem os reclusos, que por vezes se revoltam contra as condições em que vivem. Muitos acabam por ser abatidos pelos guardas para que a ordem seja restabelecida.

60% dos reclusos estão ligados ao tráfico de droga

Muitos dizem que esta sobrelotação também se verifica noutros estabelecimentos prisionais do país e que são o resultado do combate intenso ao tráfico de droga, iniciado pelo atual Presidente – Rodrigo Duterte.

A comida é terrível e é difícil encontrar um sítio para dormir, especialmente quando chove”, testemunhou Alex Beltran, que esteve detido na prisão de Quenzon durante um mês.

 

Rodrigo Duterte - Presidente das Filipinas

No início do ano, os reclusos da prisão de Quenzon chegavam quase aos 3.600, mas sete semanas depois da tomada de posse de Duterte, em junho, a luta contra o tráfico de droga, por ele iniciada, fez crescer esse número para os 4.053.

A maioria dos reclusos poderia aguardar a sentença do tribunal em casa. Isso não acontece porque a maioria não consegue comportar a fiança, que se encontra entre os 75 e os 115 euros.

O chefe máximo das operações na prisão, Joey Doguiles, quando questionado sobre qual a preparação das autoridades em relação a esta grande operação contra o tráfico, respondeu que a ameaça do tráfico era tão grande que não havia tempo para expandir as instalações. Essa questão será tratada mais tarde.

Os Estados Unidos alertam para violação dos Direitos Humanos

O Departamento de Estado norte-americano comentou o recente comunicado emitido pela polícia filipina, que aponta para 1.800 mortes relacionadas com a operação contra o narcotráfico.

Segundo as autoridades das Filipinas, desde a tomada de posse do presidente Rodrigo Duterte, há sete semanas, o número de mortes e detenções relacionadas com o tráfico de droga é muito superior ao previsto.

Depois de lido o comunicado, a porta-voz da Casa Branca Anna Richey-Allen demonstrou a preocupação dos norte-americanos quanto às milhares de mortes registadas.

Os Estados Unidos acreditam no papel da Lei e no respeito pelos Direitos Humanos Universais e que esses princípios promovem segurança a longo-termo”, disse Richey-Allen.

Com milhares de detenções feitas desde o início de junho, tudo indica que população de reclusos vai continuar a aumentar.

Segundo familiares de alguns presos, esta é uma “espera sem fim”. Os detidos não sabem quando sairão em liberdade e esperam, dia após dia, enquanto a “guerra da droga” continua.