O príncipe Henrique da Dinamarca decidiu que não quer ser enterrado ao lado da mulher, a Rainha Margarida, no mausoléu real da catedral de Roskilde, anunciou a Casa Real da Dinamarca. Descontente por nunca lhe ter sido atribuído o título de rei consorte, o príncipe alarga assim ao túmulo o protesto por não ter sido reconhecido como igual da monarca.

Não é segredo que o príncipe se sente infeliz há muitos anos com o seu papel e com o título que lhe foi atribuído na monarquia dinamarquesa. Este descontentamento tem aumentado cada vez mais nos últimos anos", afirmou ao jornal BT a diretora de comunicação da Casa Real da Dinamarca. Para o príncipe, a decisão de não ser sepultado ao lado da rainha é a consequência natural de não ter sido tratado de igual forma à sua esposa, por não ter tido o título e o papel que desejava", acrescentou Lene Balleby.

Henrique, de 83 anos, casou-se com a Rainha Margarida II em 1967 e foi-lhe atribuído o título de príncipe consorte. Ao longo dos anos, e depois de várias demonstrações públicas de descontentamento, foi ficando evidente que o título não lhe chegava. O príncipe sempre disse que gostaria de tornar-se rei consorte.

No site especializado www.royalcentral.co.uk, o editor, Charlie Proctor, que não poupas críticas ao príncipe da Dinamarca, explica que Henrique nunca poderia ser rei, porque esse é um título superior ao de rainha. É por isso que as princesas que se casam com reis podem ser rainhas, mas quem se casa com uma rainha nunca passará de príncipe.

O príncipe Henrique retirou-se da vida pública em 2016 e renunciou ao título de príncipe consorte. Desde então tem passado a maior parte do tempo na vinha privada que tem em França, país de onde é natural, apesar de ainda continuar casado com a rainha da Dinamarca e oficialmente ainda viverem juntos.

Henrique nasceu em Talence, perto de Bordéus e foi batizado com o nome Henri Marie Jean André de Laborde de Monpezat. Filho de um empresário com negócios na Ásia, Henrique estudou Direito e Ciência Política, na Sorbonne, em Paris. Em 1963, depois de ter servido o exército francês na Guerra da Argélia, foi trabalhar como secretário da embaixada francesa em Londres, onde esteve até 1967. No mesmo ano, casou-se com a herdeira ao trono dinamarquês na escola naval de Copenhaga. O casal real tem dois filhos: o príncipe herdeiro Frederico e o príncipe Joaquim.