A perspetiva de comercialização de uma primeira vacina contra a malária, a partir de 2015, foi hoje acolhida com interesse mas prudência pelos especialistas no combate à doença, responsável a cada ano por 660.000 mortes em África.

A malária mata essencialmente crianças com menos de cinco anos e é uma das doenças mais mortíferas do continente.

A farmacêutica britânica GlaxoSmithKline (GSK) anunciou hoje que vai solicitar autorização para comercializar a primeira vacina contra a malária junto dos organismos reguladores internacionais.

«Todos os progressos na luta contra a malária são bem-vindos e esta vacina pode representar uma nova arma importante para nós», congratulou-se Martin de Smet, especialista dos Médicos Sem Fronteiras (MSF).

«Mas não vai substituir outros métodos já em aplicação. Esta vacina não é eficaz a 50% e a proteção que oferece diminui aos dois anos de idade e mais ainda depois dos três anos», afirmou.

A farmacêutica, após «testes clínicos satisfatórios» efetuados em crianças africanas, indicou em comunicado que vai solicitar em 2014 à Agência Europeia de Medicina (EMA) e à Organização Mundial de Saúde (OMS) a autorização para a comercialização da vacina conhecida como RTS,S.

Os resultados da fase III da investigação foram revelados numa conferência de imprensa em Durban, África do Sul e reuniu especialistas em malária de todo o mundo.

De acordo com o estudo divulgado, 18 meses após a vacinação, as crianças com idades entre os cinco meses e os 17 meses apresentam uma redução de 46% do risco de malária, comparando com outras crianças que não foram vacinadas.

Em todo o caso, o grupo de crianças com idades compreendidas entre as seis semanas e as 12 semanas de vida apresenta uma eficácia mais reduzida à vacina: 27% da redução do risco de contrair a malária.

Ou seja, as novas informações que foram apresentadas em Durban mostram menos proteção da vacina em bebés, em oposição aos efeitos junto das crianças com mais idade, assim como se mostram menos eficazes com o passar do tempo.

Durante o primeiro ano, a eficácia junto do grupo de crianças muito jovens é de 47% contra a malária clínica e de 56% contra a malária severa.

No grupo dos bebés, a vacina tem uma eficácia de 46% contra a malária clínica e 36% contra a malária severa, durante os primeiros doze meses.

Nos primeiros 18 meses após a administração da vacina, a eficácia recua para valores entre os 46% e 36% entre crianças e 27% a 15% junto do grupo dos bebés.

«Há muitas hipóteses para essas diferenças sobre as quais nos estamos a debruçar», disse Lucas Otieno, um dos principais investigadores e que trabalha no Instituto de Investigação Médica do Quénia.

As teorias referem possíveis interferências dos anticorpos maternos na vacina, assim como o impacto de outras doenças que afetaram o grupo de bebés durante o mesmo período de tempo.

Otieno sublinhou que o processo de investigação está em «progressão».

«Esperamos ter mais informação sobre a proteção de longo prazo em 2014».