O Ministério da Justiça da Síria considerou «politizado» o relatório sobre a alegada tortura em massa e assassínio de presos pelo regime e assegurou que as fotografias divulgadas com o documento são «falsas».

«O Ministério da Justiça nega inteiramente a veracidade do relatório», afirmou o ministério num comunicado citado pela agência Sana.

«É um relatório politizado a que falta objetividade e profissionalismo», acrescentou, afirmando que, ao ser divulgado a dois dias do início da conferência internacional Genebra II, ele visa «enfraquecer os esforços de paz».

O relatório em causa, divulgado na terça-feira, acusa o regime de Bashar al-Assad de torturas e assassínios em grande escala de 11.000 presos.

O documento, elaborado por uma empresa de advogados britânica, a pedido do Qatar, país que apoia a oposição síria, afirma haver «provas claras» de que detidos morreram de fome, tortura e espancamentos.

O relatório apoia-se numa análise forense de 55.000 fotografias digitais tiradas por um fotógrafo da polícia, que desertou.

Três antigos procuradores internacionais, contratados pela empresa de advogados, consideraram que as fotos são semelhantes às tiradas nos campos de concentração nazis durante a II Guerra Mundial.

Segundo o regime, no entanto, as fotografias são falsas: «Qualquer pessoa que trabalhe na área da investigação criminal pode dizer que estas fotos são falsas e nada têm a ver com prisioneiros ou detidos em prisões sírias», afirma o comunicado.

As fotos, prossegue o texto, retratam «terroristas estrangeiros» mortos em combates contra as forças governamentais ou outras pessoas mortas ou torturadas por «grupos terroristas armados».

«As prisões sírias respeitam os melhores padrões internacionais», acrescenta.