Os eleitores russos preparam-se este domingo para reeleger o presidente Vladimir Putin, num escrutínio assinalado pelas críticas da oposição interna e uma crescente crispação com os países ocidentais.

O presidente russo votou logo pela manhã em Moscovo. Assim como fez em todas as eleições desde que chegou ao poder em 2000, o líder do Kremlin depositou o seu voto na sede da Academia das Ciências da Rússia, na movimentada Avenida Lenine.

O horário que o político escolheu para votar, no entanto, é uma novidade, já que em ocasiões costumava fazê-lo durante a tarde. "Tenho muitas reuniões de trabalho hoje", explicou o presidente. 

Putin afirmou também aos jornalistas que ficará satisfeito com qualquer percentagem que lhe permita governar.

As assembleias de voto abriram às 08:00 locais deste domingo (20:00 de sábado em Lisboa) nas regiões de Chukotka e Kamchatka, com as eleições a concluírem-se pelas 20:00 de domingo (18:00 em Lisboa) no enclave de Kalininegrado, a região mais ocidental da Rússia. A imensidão do país, percorrido por 11 fusos horários, justifica esta diferença entre o início e o fim das votações nas diversas regiões da federação, que vão demorar mais de 20 horas.

Mais de 107 milhões de eleitores estão a ser convocados para a eleição que segundo todas as previsões vão reconduzir o presidente Vladimir Putin para um quatro mandato, até 2024.

A cadeia de televisão pública Rossiya 24 mostrou imagens da abertura das assembleias de voto em Petropavlovsk-Kamtchatski, na península de Kamchatka, e em Anadyr, no distrito autónomo de Tchoukotka.

Se as sondagens não falharem, Putin, de 65 anos, deverá assumir sem surpresa o quarto mandato presidencial com cerca de 70% dos votos, após a sua primeira eleição em 2000, para além de ter assumido o cargo de primeiro-ministro entre 2008 e 2012. Nos primeiros dois mandatos presidenciais Putin cumpriu quatro anos, em cada um, à frente do Kremlin, tendo a duração dos mandatos sido ampliada para seis anos a partir de 2012.

Em caso de vitória, o que parece altamente provável, Putin somará 25 anos no poder, uma longevidade que o deixa atrás apenas de Josef Stalin.

As eleições ocorrem num momento em que a Rússia é alvo de sanções britânicas, em reação ao envenenamento em Inglaterra do ex-agente duplo russo Serguei Skripal, num caso que parece ter confirmado o regresso de uma nova Guerra Fria desde o regresso de Putin ao Kremlin, em 2012.

O conflito sírio, a acusação de ingerência nas presidenciais norte-americanas e a crise ucraniana, com a anexação da península da Crimeia após o referendo de março de 2014, são cenários que têm justificado um crescente clima de tensão, e que implicaram no último caso a adoção de duras sanções internacionais pela União Europeia e Estados Unidos.

A última sondagem do instituto público VTsIOM dava a Putin 69% das intenções de voto, com larga vantagem face aos restantes candidatos.

Pavel Groudinine, do Partido Comunista, está creditado com 7% a 8%, e o ultranacionalista Vladimir Jirinovski deve garantir entre 5% e 6%. Os restantes cinco concorrentes terão resultados residuais.

O grande ausente da eleição presidencial é o opositor "número um" do Kremlin, Alexei Navalny, o único com capacidade de mobilizar dezenas de milhares de pessoas, acusado pelas autoridades de "repetida violação" da lei sobre a organização de manifestações e proibido de concorrer ao escrutínio devido a uma antiga condenação judicial, que considera encenada pelo Kremlin.

Com a eleição de Putin praticamente assegurada, a taxa de participação será o principal "barómetro" deste escrutínio. O Kremlin empenhou-se nesta campanha, para um objetivo que os 'media' resumiram pela fórmula "70-70": 70% de participação e 70% de votos para Putin.