Foi tocar a reunir para o candidato republicano voltar a sair do quartel com a artilharia toda. O Donald Trump mais contido das últimas semanas de campanha eleitoral ficou em casa e avançou a sua postura mais destemida num fórum sobre Defesa, organizado por associações de veteranos norte-americanos e pela cadeia de televisão NBC.

Quarta-feira à noite, em Nova Iorque, os candidatos Donald Trump e Hillary Clinton responderam em separado, cada qual durante meia hora. Ela foi mais recatada, diplomática. Ele, talvez animado pelas útlimas sondagens, disparou em todas as direções. E no dia seguinte a ter lançado os foguetes, fez questão de apanhar as canas, reclamando a vitória na sessão.

Antes Putin que Obama

Polémica, entre outras, causou o elogio feito por Trump à postura do presidente russo, Vladimir Putin. Mais ainda, quando no mesmo dia, o secretário norte-americano da Defesa acusou a Rússia de "ter a ambição clara de corroer os princípios da ordem internacional".

Tem sido mais líder que o nosso presidente", sustentou Trump referindo-se a Putin, com o argumento de que tem uma popularidade de 82% no seu país.

Se ele diz coisas boas de mim, direi coisas boas dele. Penso que quando ele me considera brilhante, devo tomar isso como um elogio. Ok?", afirmou Trump perante a audiência, garantindo que terá "um bom relacionamento com Putin e um bom relacionamento com a Rússia". Se for eleito presidente nas eleições de 8 de novembro.

Petróleo e tropas no Médio Oriente

Hillary Clinton fez questão de esclarecer os norte-americanos que, consigo como presidente, acabar-se-á o envio de tropas para o Médio Oriente. Seja para a Síria ou para o Iraque, onde os Estados Unidos têm ainda cinco mil efetivos.

Não vamos colocar tropas no terreno no Iraque, nunca mais, e não vamos enviar tropas para a Síria", afirmou a candidata democrata, algo que, para Trump, simplesmente não faz sentido.

Para o candidato republicano, há que ter em conta a importância de "controlar o petróleo no Médio Oriente". Como?

Deixamos lá um grupo e eles irão controlar as várias áreas onde eles têm o petróleo", explicou Trump, adiantando que o auto-intitulado Estado Islâmico nunca existiria se os Estados Unidos controlassem esses recursos.

O Iraque e a invasão por militares norte-americanos tornou-se ainda um ponto de divergência entre os candidatos. Hillary apoiou a guerra em 2002, que agora considera ter sido "um erro". Trump disse por seu turno, ter sido contra, algo que a campanha democrata já veio mostrar não ter sido assim.

A 11 de setembro de 2002, no programa radiofónico The Howard Stern Show, o diálogo foi este:

- Howard Stern: Está pela invasão do Iraque?

- Donal Trump: Yeah, acho que sim. Acho que pela primeira vez se fez a coisa corretamente.

Eles e elas na tropa

A reafirmar posições passadas, esteve Donald Trump no que respeita à presença de mulheres nas fileiras das forças armadas norte-americanas. Em causa, uma opinião do milionário, a 7 de maio de 2013, sobre os 26 mil casos de abusos sexuais no exército, com apenas 238 condenações.

O que é que estes génios esperavam quando puseram homens e mulheres juntos?", questionava Trump no canal Twitter.

Confrontado com a sua opinião sobre a inclusão de mulheres no exército, Trump assegurou que o que escrevera há três anos era "um tweet correto". Mas no fórum de quarta-feira à noite ficou-se apenas por acrescentar que "algo tem que acontecer".

Temos que aprofundar a questão e fazer qualquer coisa", foram as restantes e elucidativas palavras que disse sobre a questão.