Branca, o era, e profeta, talvez o tenha sido. Certo é que o prognóstico feito pela atriz Susana Vieira, no papel de Branca, numa telenovela exibida em 1998 está a animar o interesse pelas presidenciais norte-americanas no Brasil.

O caso foi posto preto no branco pelo jornalista, bloguer e crítico, Mauricio Stycer. Escreve na Folha de S. Paulo, mas foi no seu blog que se lembrou da profética fala da telenovela "Por Amor".

Como é comum nas telenovelas, não faltam triângulos amorosos, pais alcoólicos, bebés trocados à nascença, avós que guardam consigo segredos palpitantes e incontáveis e que acabam por ser desvendados. Mas, não se tratando de uma história que remonta a uma época histórica, há também um acompanhamento da realidade qutodiana. Assim o era com "Por Amor", escrita por Manoel Carlos.

Como em outras novelas do autor, a trama mostrou a realidade da classe média carioca ao som de Tom Jobim. O pesquisador Nilson Xavier lembra que a novela também tratou de temas como alcoolismo, preconceito racial, bissexualidade, jogo do bicho, troca de bebês, misturou classes sociais e colocou os emergentes no cenário nacional", salienta Mauricio Stycer.

O impeachment de Clinton

À época, o Brasil e o mundo assistiam ao que então se passava. Na telenovela "Por Amor", os personagens refletiam sobre questões que iam da visita do Papa João Paulo II a Cuba, precisamente em 1998, à primeira vitória do tenista brasileiro Gustavo Kuerten em Roland Garros, no ano anterior.

Igualmente se falava do processo de destituição que o então presidente norte-americano enfrentava. O caso com a estagiária Monica Lewinsky estava ao rubro e Bill Clinton respondia perante o Congresso, sob a acusação de ter mentido. O impeachment era a penalização.

Como em qualquer telenovela que se preze, também em "Por Amor" havia um milionário. No caso, chamava-se Arnaldo, interpretado pelo ator Carlos Eduardo Dolabella. Branca era a sua snob esposa. E foi numa conversa entre ambos que a profecia veio a lume.

Ela (Hillary) não está pensando no marido dela, não. Ela está pensando nela. Ela vai sair candidata, você vai ver. E se as coisas continuarem como estão, ela vai ser a primeira presidente mulher dos Estados Unidos”, asseverava então Branca.

Certa ou errada, cabe a largos milhões de norte-americanos tirarem a coisa a limpo nas eleições do próximo dia 8 de novembro.