Foi desvendado esta segunda-feira o último prémio Nobel 2014 que faltava conhecer: o da Economia. O francês Jean Tirole junta-se, assim, a John O'Keefe, May-Britt Moser e Edvard Moser (Medicina ou Fisiologia), Isamu Akasaki, Hiroshi Amano e Shuji Nakamura (Física), Eric Betzig, Stefan W. Hell, William E. Moerner ( Química), Patrick Modiano ( Literatura) e Malala Yousafzai e ao indiano Kailash Satyarthi ( Paz). Mais do que duas mãos cheias de conhecimento e provas dadas para o avanço do mundo científico e humano. No baú dos Prémios Nobel, não é difícil encontrar histórias para contar. Dos números que entram nas estatísticas oficiais, aos acontecimentos mais improváveis. 

Alfred Nobel, que morreu com 63 anos, deixou em testamento, a 25 de novembro de 1895, a ordem para que a maior parte da sua fortuna fosse para premiar o conhecimento em Física, Química, Fisiologia ou Medicina, Literatura e quem mais contribuísse para a Paz. Ele próprio dedicou a vida ao conhecimento: foi químico, engenheiro, fabricante de armamentos e inventor. De olhos postos no trabalho, nunca teve grande vida pessoal. Ainda assim, para a sua maneira de encarar a vida e o mundo contribuiu a influência de uma grande amiga, Bertha Kinsky, que lhe transmitiu os seus ideais pacifistas. Daí a ideia de criar uma fundação com o seu nome, como o intuito de promover o bem-estar da Humanidade.

O Nobel da Economia surgiu mais tarde, através do Prémio Sveriges Riksban, em memória de Alfred. Não foi instituído desde 1901 como os outros, mas apenas em 1969 e já distinguiu 45 pessoas. A ideia de premiar esta área do conhecimento teve o dedo de Sveriges Riksbank, que na altura estava à frente do Banco Central da Suécia. A única mulher a receber o Nobel da Economia até hoje foi Elinor Ostrom, em 2009.

De uma só família, nasceram dois investigadores que receberam o mais importante prémio científico: os dois irmãos Jan Tinbergen (Ciências Econômicas em 1969) e Nikolaas Tinbergen (Fisiologia ou Medicina em 1973). Não só, não só: para memória futura ficará o casal que juntou, em casa, dois Prémios Nobel, Gunnar Myrdal (Ciências Econômicas em 1974) e Alva Myrdal (Prêmio Nobel da Paz em 1982).

Entre 1901, ano de estreia, e 2014, já foram atribuídos 567 Prémios Nobel, a 864 pessoas e 25 organizações. Os estatutos da Fundação Nobel preveem que o valor do prémio possa ser dividido em partes iguais por, no máximo, três pessoas. Do total de prémios, as mulheres foram distinguidas 47 vezes. A idade média dos vencedores é 59 anos.  Houve alguns anos em que ninguém recebeu o prémio, sobretudo durante a I e II Guerras Mundiais, ou seja, entre 1914 e 1918 e entre 1939 e 1945. 

Dois dos premiados neste mais de um século de distinções recusaram receber o galardão: Jean-Paul Sartre (Nobel da Literatura, em 1964), porque sempre rejeitou todas as honras oficiais, e Le Duc Tho, o Prêmio Nobel da Paz de 1973, juntamente com o secretário de Estado Henry Kissinger. Foram agraciados com o prémio pela negociação do acordo de paz no Vietname. Le Doc Tho argumentou que não estava em condições de aceitar, dada a situação naquele país.

Na lista de recordações, figuram também imposições governamentais. Quatro prémios Nobel foram forçados pelas autoridades dos seus países a declinarem o prémio ou a não aceitarem, de todo, o dinheiro. Adolf Hitler foi um dos casos: proibiu três alemães Richard Kuhn , Adolf Butenandt eGerhard Domagk , de o receberem. Puderam, apenas, ficar com o diploma e com a medalha, mas não com o valor monetário.  Boris Pasternak , Nobel de Literatura em 1958, chegou a aceitar, inicialmente, mas mais tarde foi coagido pelas autoridades da União Soviética, o seu país natal, a recusar. 

Segundo as estatísticas, há algumas áreas mais premiadas do que outras. No caso da Física, a Física de Partículas; na Química, as investigações em Bioquímica e, na Medicina, a maioria dos prémios teve que ver com Genética. Já na Economia, é a Macroeconomia que vence as estatísticas.

Como são escolhidos os nomeados? A cada ano, milhares de membros de academias, professores universitários, cientistas, anteriores premiados, entre outros, são convidados pela Academia Sueca a apresentar candidaturas para os Prémios Nobel do ano seguinte. Há uma grande preocupação em ver o maior número de países e universidades representados tanto quanto possível, ao longo do tempo.

A distinção é, por si só, o mais importante e é aquele topo de carreira que poucos acreditam, um dia, alcançar. Muitos se questionarão, ao mesmo tempo, quanto dinheiro recebem os laureados. Pois bem: Alfred Nobel deixou a maior parte da sua fortuna (31 milhões de coroas suecas, qualquer coisa como, aos valores atuais, 1.702 milhões de euros), para ser convertida num fundo que investisse em valores seguros. O rendimento resultante desses investimentos é distribuído anualmente, sob a forma de prémios, «para aqueles que, durante o ano anterior, tenham conferido um grande benefício para a humanidade). O valor para 2014 é de 8 milhões de coroas suecas (875 mil euros) «por prémio Nobel completo», segundo o site oficial da Fundação.