Morreu Tomas Transtromer, prémio Nobel da Literatura em 2011, noticia a AFP. 

Tomas Gösta Transtromer, poeta sueco nascido a 15 de abril de 1931, morreu esta sexta-feira, a poucos dias de fazer 84 anos.
 
Tranströmer ganhou o prémio Nobel da Literatura em 2011 e as suas obras encontram-se traduzidas em mais de 60 línguas, de acordo com a sua biografia oficial.
 


 


O poeta sueco escreveu sobre Lisboa e Funchal. O poeta Casimiro de Brito afirmou à Lusa que ele era «o maior ou um dos maiores poetas do mundo».

Editados em português pode encontrar obras como «50 poemas», da Relógio d'Água, ou 
«As Minhas Lembranças Observam-me», pela Sextante. Esta obra é recomendada pelo Plano Nacional de Leitura, e está ainda incluído na seleta «21 poetas suecos» (1981), organizada por Vasco Graça Moura e Ana Harthely, com a chancela editorial da Vega.

Nesta obra surge o poema «Lisboa», em que o poeta destaca elementos típicos das zonas históricas da capital.

«No bairro de Alfama os elétricos amarelos cantavam nas calçadas íngremes/Havia lá duas cadeias. Uma era para ladrões/Acenavam através das grades/Gritavam que lhes tirassem o retrato», escreveu.

«Roupa branca no azul. Os muros quentes/As moscas liam cartas microscópicas/Seis anos mais tarde perguntei a uma senhora de Lisboa/ 'Será verdade ou só um sonho meu?’», finaliza o poeta sobre a cidade junto ao Tejo.


Psicólogo de formação, Transtroemer sugere que a análise poética da natureza permite mergulhar nas profundezas da identidade humana e da sua dimensão espiritual.

«A existência de um ser humano não acaba onde os seus dedos terminam», declarou um crítico sueco sobre alguns poemas de Transtroemer, que classificou como «orações laicas».

O prestígio de Transtroemer no universo anglófono deve-se sobretudo à sua amizade com o poeta norte-americano Robert Bly, que traduziu para inglês uma boa parte da sua obra – que está traduzida em 60 línguas.

O seu estilo foi descrito pela revista Publishers Weekly como “místico, versátil e triste”, destoando da vida do poeta ativamente empenhado numa luta por um mundo melhor, e não apenas através de poemas.

Nascido a 15 de abril de 1931 em Estocolmo, Tomas Transtromer foi educado pela mãe, após a morte precoce do pai. Depois de se licenciar em Psicologia, em 1956, foi contratado pelo Instituto Psicotécnico da Universidade de Estocolmo e, a partir de 1960, passou a ocupar-se de jovens delinquentes num instituto especializado, trabalhando com deficientes, presos e toxicodependentes, enquanto edificava a sua obra poética.

Em 1954, aos 23 anos, ainda estudante de Psicologia, publicou o seu primeiro livro, «17 Poemas», na maior editora sueca, Bonniers, à qual continuou ligado ao longo da sua carreira e cujo editor considera a poesia de Transtroemer «uma análise permanente do enigma da identidade individual perante a diversidade labiríntica do mundo».

Em 1966, recebeu o prestigiado Prémio Bellman, ao qual se seguiram muitas outras distinções, entre as quais o Prémio Petrarca (Alemanha, 1981) e o Neustadt International Prize (Estados Unidos, 1990).

Em 1997, a cidade operária de Vaesteraas, onde viveu durante 30 anos (até aos anos 1990, quando regressou a Estocolmo), criou o Prémio Transtroemer.

Em 2004 publicou «O Grande Enigma» e, segundo a sua mulher, a música passou a ocupar grande parte da sua vida - tocava todos os dias ao piano (com a mão esquerda, porque a direita ficara paralisada em consequência do AVC) e passava as manhãs a ouvir música clássica.

Tomas Transtromer sofreu, em 1990, um acidente vascular, que afetou a sua capacidade de falar e escrever, recorda a Lusa.