O primeiro-ministro, Mariano Rajoy, vai testemunhar no julgamento do caso Gürtel, um dos maiores escândalos de corrupção de que há memória em Espanha e envolve antigos membros do Partido Popular (PP).

A decisão da Audiência Nacional, tribunal sediado em Madrid e presidido pelo juiz Ángel Hurtado, onde decorre o julgamento deste caso, foi conhecida esta terça-feira. Isto mesmo depois de o departamento de combate à corrupção do Estado e a procuradoria-geral da república se terem mostrado contra a hipótese de Rajoy ser testemunha.

Esta é a primeira vez que um chefe de governo de Espanha é notificado para prestar contas em tribunal, no exercício do cargo.

Rajoy terá de explicar, na condição de secretário-geral do PP entre 2003 e 2004, as suspeitas de financiamento irregular do partido durante este período.

O escândalo de corrupção Gürtel começou a ser investigado em 2007 e envolve membros do PP, como o ex-tesoureiro do partido Luis Bárcenas.

Em causa está uma rede de corrupção que alegadamente operava em várias zonas de Espanha, todas elas governadas pelo PP - tanto a nível local como regional - e que subornava líderes políticos para conseguir contratos milionários. Branqueamento de capitais, fraude fiscal, tráfico de influências, suborno são alguns dos crimes imputados aos principais responsáveis da rede. 

O principal suspeito, o empresário espanhol Francisco Correa, admitiu ter dado dinheiro e "presentes" a membros do PP em troca da adjudicação de contratos públicos.

Correa é considerado o líder da rede de corrupção e é quem dá o nome a esta operação. Gürtel é o nome em alemão para “Correa”.