Quase três semanas após as últimas eleições, mantém-se o impasse em Espanha para a formação de um governo maioritário, o mesmo que levou às segundas eleições em apenas seis meses. Todos os partidos concordam que Espanha não deve seguir para um novo sufrágio, mas, por outro lado, nenhum quer apoiar o Partido Popular.

Mariano Rajoy terminou, esta quarta-feira, a primeira ronda de conversações com os principais partidos – PSOE, Podemos e Cuidadanos – e mantém-se o bloqueio político. Como líder do partido mais votado, primeiro-ministro do governo em funções não quer perder mais tempo e entregou um programa de governo a todos os partidos como ponto de partida para as negociações, no entanto, essa não é uma garantia de sucesso.

O programa pouco difere daquele que o PP levou para a ronda de negociações que se seguiu às primeiras eleições (de dezembro) à exceção de algumas reformas laborais e educativas, segundo o El País. Partindo do principio que os partidos mantêm a convicção de rejeitar esse projeto e o governo do PP, a possibilidade de Espanha poder seguir para umas terceiras eleições é real.

Rajoy conseguiu 137 deputados, mas precisa de 176 para conseguir um governo estável. A abstenção do Ciudadanos é a possibilidade mais farovável, e praticamente garantida, já que Albert Rivera considera que esta é a forma de evitar novas eleições.

Temos de encontrar uma forma de desbloquear esta situação e consideramos que uma abstenção técnica é melhor que umas terceiras eleições. Espero que outros partidos possam fazer o que nós fizemos hoje”, afirmou Albert Rivera, segundo a Reuters.

No entanto, o apoio ou abstenção do Ciudadanos é insuficiente para conseguir o objetivo. O partido só conseguiu 32 deputados, isto é, ficam a faltar 23 para a maioria.

O Podemos, liderado por Pablo Iglesias, já manifestou uma posição contrária. Tal como nas rondas de negociações das tentativas de investidura das primeiras eleições, o Podemos recusa aliar-se ou apoiar o PP, por considerar que os seus programas são demasiado incompatíveis. Para Iglesias, Rajoy só conseguirá governar com o apoio ou abstenção do PSOE, e nesse caso o Podemos assumirá o papel de líder da oposição. Mas este não é o desejo de Iglesias, que prefere um governo socialista e uma alternativa de esquerda em vez de um Executivo conservador.

Desta forma, Iglesias lançou um “ultimato” a Pedro Sánchez: “Tem que escolher entre [um governo de] Rajoy, uma alternativa de esquerda ou terceiras eleições”.

Na política não é possível uma coisa e o seu contrário. O PSOE tem que escolher”, afirmou Iglesias, segundo o El País.

Rajoy pretende tentar formar governo no final deste mês ou no inicio do próximo, mas só se tiver garantias que possa ter sucesso. Novos encontros vão decorrer, mas a decisão final parece estar dependente do que o PSOE decidir e as negociações não começaram bem para o lado do líder do PP.

Depois de uma hora e meia de reunião, esta quarta-feira, Sánchez disse à imprensa que o PSOE vai votar contra Rajoy como candidato a primeiro-ministro. Sánchez também rejeita uma grande coligação entre PP e PSOE, ainda que admita que pretende fazer tudo ao seu alcance para evitar novas eleições.

O novo parlamento será formado a 19 de julho e uma ronda de conversações com os partidos e o Rei Felipe VI deve acontecer já na próxima semana. Se Rajoy tentar formar governo no final do mês e falhar, inicia-se um período de dois meses para que seja encontrada uma alternativa, antes de serem convocadas novas eleições.