Tudo “quase igual” em Espanha depois das eleições deste domingo. Os espanhóis dizem-se fartos de tanta indecisão mas PP de Mariano Rajoy não parece ter vontade de ir a lado algum. Apesar de todas as pressões para que se afastasse, volta a ganhar as eleições, com mais deputados, mas numa distribuição de votos que deixa novamente o país em suspenso.

Os espanhóis parecem ter aderido ao argumento de que era importante afastar os “radicais” do Governo mas o grande vencedor não é o PP de Rajoy – porque mais uma vez não consegue a maioria – mas sim quem fica em segundo lugar: o PSOE (o principal partido de centro esquerda em Espanha), mesmo com menos deputados.

Contra tudo e todos, a liderança de Pedro Sanchéz consegue o que queria: evitar o crescimento do Unidos Podemos, acima do PSOE. Um Podemos que ao unir-se à Esquerda Unida, consegue apenas mais dois deputados, que são produto, exatamente, desta ligação partidária.

Na reação às eleições deste domingo, Sanchéz  assumiu não estar satisfeito porque “os socialistas queriam ganhar estas eleições" mas "conseguimos, mesmo assim, ser a primeira força política da esquerda", acrescentou. Numa mensagem clara para o opositor do Podemos Pablo Iglesias.

Rajoy terá agora de voltar a propor um novo bloco central ao PSOE, embora não se saiba se será a Sanchéz. Foi um secretário-geral com um discurso vitorioso que se apresentou no rescaldo eleitoral mas só o partido poderá avaliar se o fato do líder ter conseguido travar os intentos do Podemos é suficiente para cair nas boas graças, sobretudo dos seus opositores internos, contra um resultado que é pior que o de dezembro. Já para não falar da investidura falhada de março.

Na terceira posição, e sem poder cantar vitória, volta a ficar o Unidos Podemos de Pablo Iglesias. Os analistas políticos acreditam que os resultados, melhores mas pouco confortáveis, foram penalizados pela parte do eleitorado que acusa Iglesias do fracasso das negociações com o PSOE.

Os mesmos analistas que acreditam que, mesmo assim, o Unidos Podemos pode ter um papel importante nas novas negociações para formar Governo.

“Esperávamos uns resultados diferentes. É o momento de refletir”. Foram as primeiras palavras de Iglesias, que, apesar de todo recusou pronunciar a palavra “fracasso”. “Estamos a assumir a responsabilidade, mas creio que temos muito futuro neste país”, disse.

Mas secretário-geral do PSOE não perdeu tempo e lançou uma “farpa” a Iglesias, culpando-o do avanço da direita nesta eleição e de ter atuado somente para vencer o PSOE.

Albert Rivera do Ciudadanos era até agora o favorito de Rajoy para formar Governo mas acabou por ser a força política com maior queda na eleição deste domingo. No entanto, a avaliar pelo resultado do PP, pode ser uma figura chave decisiva nas negociações que se avizinham.

No pior dos cenários, os espanhóis poderão ter um presente de Natal envenenado se voltarem a ser chamados a votos dentro de seis meses o que, com este resultado, não é descartável. Tudo dependerá da vontade dos protagonistas.