O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, disse, esta terça-feira, que há poucos portugueses na Gorongosa, região afetada pelo conflito em Moçambique, e que ainda não houve qualquer pedido de ajuda pelos emigrantes.

«A zona de que se fala é uma zona onde há muito poucos portugueses», afirmou o governante, em declarações à Lusa, especificando que na Gorongosa existe «um investimento de uma empresa portuguesa», onde se encontram quatro portugueses, que «estão bem».

Não são mais que «umas dezenas» os emigrantes portugueses na zona, estando o cônsul de Portugal na Beira a analisar a sua situação.

«O nosso consulado na Beira está a fazer um acompanhamento da situação, através de um contacto direto com eles e com algumas pessoas que pontualmente por ali existem», adiantou José Cesário, admitindo que possam existir casos de portugueses que «não estejam referenciados».

«Neste momento, o nosso cônsul está incumbido de fazer uma análise cuidadosa da situação e de averiguar com o máximo rigor quantas pessoas possam ter de merecer algum acompanhamento, embora nós acreditemos que a situação evolua positivamente, mas evidentemente temos de estar sempre de sobreaviso», referiu o secretário de Estado.

A situação em Moçambique, acrescentou, merece «toda a atenção» do Governo português.

O governante disse não ter conhecimento de «qualquer pedido de ajuda» e sublinhou que a comunidade portuguesa no país não tem transmitido «notas de grandes preocupações».

«As pessoas acreditam no futuro de Moçambique, acreditam no país. Mesmo as que estão espalhadas pela província, de um modo geral estão lá há mais tempo e têm mais rotina e experiência nestas coisas», observou.

Moçambique vive a sua pior crise política e militar desde a assinatura do Acordo Geral de Paz (AGP) em 1992, após o exército moçambicano ter desalojado na segunda-feira o líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, Afonso Dhlakama, da base onde se encontrava aquartelado há mais de um ano, no centro do país.

Afonso Dhlakama e o secretário-geral da Renamo, Manuel Bissopo, fugiram para local incerto, enquanto as forças de defesa e segurança moçambicanas mantêm a ocupação da residência do líder do movimento, em Sandjunjira, na província de Sofala, e o partido denunciou o acordo de paz assinado em 1992 com a Frelimo.

Entretanto, homens armados da Renamo ocuparam hoje e assumiram o controlo da vila de Maríngué, na Gorongosa, constatou a Lusa no local.

Em junho último, elementos da Renamo levaram a cabo ataques contra autocarros e camiões na região de Machanga, também no centro de Moçambique, que se saldaram em pelo menos três mortos e seis feridos e que levou o exército a fazer escoltas militares na principal estrada da região.

O partido de Dhlakama reivindicou ainda a morte de 36 militares e polícias das forças de defesa e segurança moçambicanas, a 10 e 11 de agosto, numa «ação de autodefesa», no centro do país, e o líder da Renamo já tinha condicionado as negociações com o Presidente Armando Guebuza à retirada do exército da serra da Gorongosa.