Um emigrante de Vila Pouca de Aguiar venceu hoje as eleições municipais em Bettendorf, uma pequena localidade no nordeste do Luxemburgo, e pode vir a ser o primeiro burgomestre português no país.

José Vaz do Rio já era conselheiro municipal em Bettendorf desde as últimas eleições, em 2011, ocasião em que ficou em quinto lugar.

Agora, venceu as eleições, com 588 votos - deixando em terceiro lugar o atual burgomestre, Albert Back, com 553 votos -, mas para já é cauteloso.

"Vamos ver. Ainda vamos ter uma reunião, tudo é possível", disse à Lusa, explicando que os nove eleitos deverão ainda realizar uma votação para formalizar as nomeações para os cargos no executivo camarário.

A pequena autarquia tem menos de três mil habitantes e não há listas partidárias, sendo as candidaturas apresentadas em nome individual.

Natural de Raíz do Monte, Vila Pouca de Aguiar, José Vaz do Rio, de 61 anos, chegou ao Luxemburgo em 1970 e está reformado há quatro anos, depois de ter trabalhado na fábrica de pneus da Goodyear.

Há um ano, obteve a nacionalidade luxemburguesa, ficando com duplo passaporte. O imigrante fala luxemburguês, a língua em que se desenrolam as reuniões do executivo camarário, depois de ter frequentado durante seis anos os cursos noturnos organizados pela autarquia.

Compreendo cem por cento e falo 80%. Agora vou ter de treinar. A eleição é importante para os portugueses. Os imigrantes portugueses deveriam participar mais e registar-se na comuna para votar", instou, recordando que só uma minoria dos imigrantes estão recenseados.

E dá um exemplo da importância da participação política: este ano os cursos de língua portuguesa estiveram para não se realizar na escola da localidade, devido a obstáculos colocados pela autarquia.

"A comuna [autarquia] dificultou um bocado os cursos, não queriam emprestar a sala, com salas vazias", contou à Lusa o português, garantindo que os problemas não se repetirão se estiver à frente da autarquia. "É prioridade, a nossa língua", afirmou.

O português é também presidente de dois clubes locais de futebol: o FC Jeunesse Gisldorf, um clube da segunda divisão da Federação Luxemburguesa de Futebol, e o Vila Pouca de Aguiar, fundado há 30 anos. Em ambas as equipas, a maioria dos jogadores são portugueses.

Filha de imigrantes cabo-verdianos também foi eleita

Já uma mulher, filha de imigrantes cabo-verdianos no Grão-Ducado do Luxemburgo, venceu as eleições municipais em Larochette, conhecida como a localidade "mais portuguesa do Luxemburgo".

Natalie Silva, luxemburguesa de origem cabo-verdiana e vereadora desde 2011, conquistou 471 votos, mais 118 que o segundo classificado.

Deverá ocupar o cargo de burgomestre deixado vago por Pierre Wies, que não se recandidatou nestas eleições, depois de ter governado a autarquia durante 26 anos.

Antes, os eleitos deverão ainda realizar uma reunião para formalizar as nomeações para os cargos no executivo camarário.

A localidade tem menos de três mil habitantes e não há listas partidárias, sendo as candidaturas apresentadas em nome individual.

Natalie Silva, que é também conselheira política do partido cristão-social (CSV) desde 2004, era vereadora em Larochette desde 2011, quando teve o segundo melhor resultado.

Licenciada em Relações Públicas, em Bruxelas, Natalie Silva nasceu em Ettelbruck, filha de imigrantes cabo-verdianos que chegaram ao Luxemburgo em 1971, vindos de Portugal.

O único português na lista de 12 candidatos, Alcides José dos Santos Mendes, não foi reeleito. Candidatava-se pela terceira vez, depois de ter sido um dos primeiros portugueses eleitos no Luxemburgo, em 2005, e de ter sido reeleito em 2011.

Larochette, conhecida como "a aldeia mais portuguesa do Luxemburgo", tem 948 habitantes com passaporte português e apenas 877 luxemburgueses.

Apesar disso, nos cadernos eleitorais os luxemburgueses estão em maioria, com 669 eleitores, estando inscritos para votar apenas 173 portugueses.

Cerca de 285 mil eleitores votaram hoje nas eleições municipais do Luxemburgo, que se realizam de seis em seis anos.

Os portugueses que vivem no Luxemburgo há mais de cinco anos têm direito de voto, mas só se recensearam cerca de 13 mil, deixando de fora 47 mil imigrantes que cumpriam os requisitos para participar nestas eleições, segundo dados do Ministério do interior.