Por: tvi24 / FC | 31- 1- 2012 23: 23
O ministro dos Negócios Estrangeiros defendeu no Conselho de Segurança da ONU uma resolução de apoio ao plano de paz da
Liga Árabe, alertando para o risco de guerra civil, se a comunidade internacional não agir.
«O que está a acontecer
na Síria é de grande seriedade. A inactividade da comunidade internacional é chocante. Uma solução árabe é urgente. Uma decisão
das Nações Unidas é essencial», disse Paulo Portas, sublinhando as razões da sua participação na reunião no Conselho de Segurança
sobre a Síria.
A reunião, ainda a decorrer, conta com a presença da secretária de Estado norte-americana, Hillary
Clinton, e dos seus homólogos de França, Alain Juppé, Reino Unido, William Hague, Marrocos e Guatemala.
«A violência
mortífera continua implacável. A situação na Síria continua em perigosa espiral em direcção a uma guerra civil, com sérios
riscos para a paz e segurança na região», disse o chefe da diplomacia portuguesa.
A última versão da resolução apresentada
no Conselho de Segurança por Marrocos e apoiada pelos países ocidentais, defende a solução da Liga Árabe para a crise da Síria,
que passa por uma «transição política» que leve a eleições livres.
Tendo ao seu lado o embaixador russo na ONU, que
tem sido o rosto à oposição a uma tomada de posição, Paulo Portas aludiu à necessidade de ultrapassar «velhas divisões» da
Guerra Fria e lamentou que a inactividade do responsabilidades no caso sírio, deixando o país perante a opção de «uma escalada
do conflito ou uma solução política negociada e controlada».
O ministro expressou o apoio de Portugal aos pontos
centrais da proposta árabe, começando pelo afastamento do presidente sírio, através da delegação de poderes no vice-presidente.
A proposta árabe, afirmou, promove o fim da violência e leva a um processo político sério que culmine numa «Síria livre e
democrática».
«Temos de nos unir numa mensagem clara e forte às autoridades sírias. É também a credibilidade do Conselho
de Segurança que está em causa», afirmou Portas, dispondo-se a continuar a negociar de «boa fé» para aprovar a resolução de
forma expedita. Em mais um aparte à Rússia, Portas terminou a intervenção com uma citação do escritor Fyodor Dostoyevsky:
«Viver sem esperança é deixar de viver».
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