Cerca de quarenta militantes da Greenpeace ocuparam o topo do edifício do Ministério da Economia polaco hoje de manhã, quando arranca o polémico encontro internacional do carvão, à margem da Cimeira do Clima da ONU, também em Varsóvia.

Os ativistas escalaram de madrugada a sede do ministério, um edifício de quatro andares, antes de serem retirados pelas forças policiais, com recurso a uma escada de emergência dos bombeiros.

Trinta manifestantes foram detidos, disse à agência France Presse Mariusz Mrozek, porta-voz da polícia de Varsóvia.

Uma grande faixa com as cores branca e vermelha da bandeira polaca foi estendida sobre a fachada do edifício, questionando: «Quem governa a Polónia, a indústria do carvão ou o povo?», enquanto os cerca de 40 ativistas agitavam, no topo, bandeiras de diversos países, entre os quais Canadá, Estados Unidos, Japão, Grã-Bretanha, Alemanha, Brasil e também da União Europeia.

A cimeira internacional sobre o carvão e o clima é organizado pela Associação Mundial do Carvão, hoje e na terça-feira, sobre o tema «Tecnologias para um carvão limpo, oportunidades e inovações», durante a qual se prevê a presença das principais empresas mundiais do setor, da energia e dos representantes das indústrias consumidoras de carvão.

Uma outra manifestação de protesto convocada por associações ambientalistas decorreu também hoje de manhã, com dois pulmões insufláveis gigantes, instalados em frente ao Ministério da Economia, a alguns quilómetros do Estádio Nacional, em Varsóvia, onde decorre a conferência do clima das Nações Unidas.

À entrada do estádio, os militantes ecologistas, vestidos com as roupas tradicionais polacas, estenderam duas passadeiras, uma vermelha e uma verde, antes de exibir um cartaz onde se lia: «fim à energia suja, deem o poder ao povo», constatou a AFP no local.

O tapete vermelho «simboliza a calorosa receção que o Governo polaco fez à indústria dos combustíveis fósseis», enquanto a passarela verde representa o caminho na direção das «energias limpas», explicaram as organizações não-governamentais organizadoras - Oxfam, WWF, Greenpeace.

Cerca de 95% da eletricidade na Polónia é produzida pelas centrais de carvão. A Polónia é o quinto maior emissor de dióxido de carbono na Europa, depois da Alemanha, a Grã-Bretanha, a Itália e a França.