Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra quatro polícias a retirar bens a duas mulheres que participavam no protesto contra Nicólas Maduro, na passada segunda-feira, na Venezuela. As mulheres parecem estar intoxicadas devido ao gás lacrimogéneo. A dada altura, um dos agentes da autoridade, segura o pulso de uma das mulheres e tira-lhe o relógio, guardando-o depois no bolso. Os polícias estão de cara tapada.

A oposição Venezuela tem acusado a polícia e os militares de roubarem e assaltarem os manifestantes que participam nas marchas diárias, em várias cidades do país, e que ocorrem há cerca de dois meses no país, escreve o The Guardian.

 

 

Solo vean el vídeo y juzguen ustedes mismos, quedó demostrado quien es el delincuente y el terrorista aquí en Vzla #wa80

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As imagens indignaram ainda mais a população que há muito já se queixa do uso excessivo da força por parte das forças de segurança. Segundo os utilizadores das redes sociais, o caso aconteceu em Caracas, na segunda-feira.

Advogados ligados à oposição já apresentaram queixa no Ministério Público (MP) contra a Polícia e a Guarda Nacional devido aos roubos sofridos pelos manifestantes.

Juan Matheus, um dos advogados que apresentou a queixa, terá afirmado à Reuters que “o ministro do interior, Nestor Reverol, lhes deu autorização para roubar”. Mas no documento apresentado ao MP, há ainda relatos de crueldade e violação dos direitos humanos. 

Além do vídeo onde as duas mulheres são rodeadas pelos quatro polícias e uma fica, claramente, sem relógio, foi divulgado outro clip onde, aparentemente, militares roubam um capacete a um manifestante e outro bem a uma mulher, antes de fugirem de moto.

 

 

Há também cada vez mais registos de ataques a jornalistas. Nas manifestações da passada segunda-feira terão acontecido 16 situações diferentes, mas desde que começaram os protestos, as queixas dos jornalistas chegam às 300. E nem os seus bens escapam às autoridades. Isso mesmo denunciou um jornalista - Francisco Zambrano - que, garante, que ficou sem o telemóvel.

“Identifiquei-me como jornalista, mas fui revistado na mesma. Pensei que seria um procedimento normal, até que um deles tirou o meu telemóvel da mala e ficou com ele”, conta numa entrevista telefónica ao The Guardian.

Mas no dia 5 de junho, segunda-feira, foi também publicado no twitter imagens de um militar, aparentemente, a destruir motas de civis estacionadas junto a um muro.