O Governo espanhol demitiu este sábado de madrugada Josep Lluís Trapero, o chefe dos Mossos d'Esquadra, a polícia regional da Catalunha, na sequência da declaração unilateral de independência da região. O comandante operacional da polícia catalã vai ser substituído no cargo pelo até agora "número dois", Ferran López.

A medida, que publicada este sábado no Boletim Oficial do Estado, não tinha sido anunciada na sexta-feira e acabou por ser assinada pelo Ministro do Interior, que assumirá as responsabilidades também na Catalunha, noticiam os jornais El Mundo e El País.

O chefe dos Mossos d'Esquadra tornou-se um herói para os secessionistas após a ação dos Mossos no referendo da independência de 1 de outubro.

Josep Lluis Trapero está proibido de sair da Espanha como parte de uma investigação por alegada sedição, embora não tenha sido detido. Os procuradores acusam-no de não ter dado ordens para ajudar policias nacionais retidos num prédio de Barcelona durante protestos pró-independência em setembro.

A decisão faz parte das medidas aprovadas sexta-feira pelo senado espanhol. Após a proclamação unilateral de independência, o primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy aplicou o artigo 155 da Constituição, dissolveu o parlamento catalão e convocou eleições autonómicas para 21 de dezembro.

Na sexta-feira, o diretor-geral da polícia catalã Pere Soler tinha assumido a destituição imediata do cargo, depois da comunicação de Mariano Rajoy. O responsável enviou uma carta de despedida aos seus homens e apelou a todos os agentes que mantenham uma posição de neutralidade.

"Quero despedir-me tal como comecei, a dizer a todos que vou estar sempre presente na defesa deste corpo e às vossas ordens", disse Pere Soler na carta, sendo o primeiro dos elementos demitidos pelo governo espanhol a aceitar a demissão.

Na carta dirigida a todos os elementos dos Mossos d'Esquadra, Pero Soler referiu que está "orgulhoso" do trabalho efetuado pela polícia regional da Catalunha e acredita que vão continuar a desempenhar as suas funções com respeito pelos direitos e liberdades "sobre qualquer comando".

Pere Soler lamentou que o processo de independência tenha afetado a polícia regional, frisando que foram imputadas acusações "injustas e sem motivos por falta de planeamento ou atividade nos dias 20 de setembro ou 1 de outubro".

Pere Soler assegurou que o desempenho dos Mossos d'Esquadra foi "muito mais eficiente" do que o de outras forças de segurança, "sem produzir, em qualquer caso, qualquer pessoa ferida".

 

O Governo espanhol ordenou na sexta-feira a destituição do presidente regional da Catalunha, Carles Puigdemont, o vice-presidente, Oriol Junqueras, e todos os "consellers" (ministros regionais) da Generalitat, medidas ao abrigo da aplicação do artigo 155 da Constituição.

O anúncio das primeiras medidas ao abrigo do artigo 155, que permite ao governo central suspender parte ou na totalidade a autonomia de uma região espanhola, coube ao presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, que falava na sede do governo central, na Moncloa, em Madrid, a seguir a um conselho de ministros convocado para o efeito.

Além da destituição do presidente, do vice-presidente e dos "consellers" regionais da Catalunha, Rajoy também anunciou a extinção das representações do governo regional (Generalitat) no estrangeiro, entre as quais se conta a de Portugal, mas com exceção da delegação de Bruxelas.

Também ficam encerrados os gabinetes do presidente e do vice-presidente na Generalitat, o Conselho de Transição Nacional (órgão criado para assessorar o governo regional sobre uma independência) e o Conselho de Diplomacia Pública (Diplocat).

O Governo destituiu igualmente o diretor-geral dos Mossos d'Esquadra, Pere Soler.

Entre as medidas aprovadas conta-se ainda a designação dos ministérios nacionais para executar o que for necessário em lugar dos órgãos administrativos catalães, agora desprovidos de "consellers".