A escultura de um sapo crucificado com uma caneca de cerveja na mão, que foi considerada pelo Papa Bento XVI como blasfema, pode ter os dias contados. Segundo a agência Reuters, a direcção do museu Museion, em Bolzano, Itália, onde está a obra, reuniu-se para decidir se apoiava a posição da igreja ou os defensores da arte.

A escultura de madeira, da autoria do alemão Martin Kippenberger, mostra um sapo de 1,30 m crucificado, com uma caneca de cerveja numa mão e um ovo na outra. À volta da cintura tem um lençol verde, à semelhança do que usa Cristo nas imagens da crucificação, e está com a língua de fora.

A obra de Kippenberger já correu mundo, mas na localidade de Bolzano está a gerar controvérsia. O governador regional opõe-se à obra, que considera «uma blasfémia» e «um pedaço de lixo revoltante».

O governador chegou mesmo a fazer uma greve de fome para pedir que a peça fosse retirada do museu, teve de ser hospitalizado, e ameaça mesmo demitir-se caso a obra continue em exposição.

Em nome do Papa, o Vaticano enviou uma carta ao Governador a apoiar a sua posição, considerando que a obra «desrespeita os que acreditam em Deus e vêem na cruz um símbolo do amor divino».

Perante tanta contestação, o museu levou a obra para um local com menor visibilidade e pondera mesmo retira-la, embora alguns recordem que o artista queria apenas demonstrar a «angústia humana».