Dados divulgados esta terça-feira pela Comissão Económica para a América Latina e as Caraíbas (Cepal) revelam que 165 milhões de pessoas vivem em situação de pobreza na América Latina, havendo um «estancamento» do combate devido a um menor crescimento regional.

Os dados fazem parte do relatório sobre o «Panorama Social da América Latina 2014», segundo o qual 28% dos latino-americanos vivem em situação de pobreza, menos 0,1% do que em 2013, ano em que a taxa de pobreza foi de 28,1% e a pobreza extrema ou indigência atingiu 11,7%.

«Estas percentagens equivalem a 165 milhões de pessoas em situação de pobreza, dos quais 69 milhões são pessoas em situação de pobreza extrema», afirma.

Apesar do estancamento alguns países reduziram significativamente a sua pobreza, entre eles o Paraguai (de 49,6% em 2011 para 40,7% em 2013), o El Salvador (de 45,3% em 2012 para 40,9% em 2013), a Colômbia (32,9% em 2012 para 30,7% em 2013), o Peru (de 25,8% en 2012 para 23,9% em 2013) e o Chile (de 10,9% em 2011 para 7,8% em 2013).

Segundo a Cepal, «a taxa de pobreza na Venezuela aumentou 6,7% entre 2012 e 2013 (de 25,4% para 32,1%) e a de indigência (pobreza extrema) 2,7% (de 7,1% para 9,8%)», enquanto o Brasil registou, entre 2012 e 2013 uma descida de 0,6% da pobreza, mas um aumento da taxa de indigência de 0,5%.

«Observou-se um fenómeno semelhante de diminuição da pobreza e um aumento da indigência, na República Dominicana, no mesmo período, apesar de as variações não serem estatisticamente significativas», precisa o relatório.

O documento não contém dados atualizados sobre a situação na Argentina, Bolívia, Guatemala, Honduras, México e Nicarágua, mas precisa que, em 2012, havia 4,3% de argentinos pobres, 36,3% de bolivianos, 54,8% de guatemaltecos, 69,2% de hondurenhos, 37,1% de mexicanos e 58,3% de nicaraguenses.

Por outro lado, especifica que 1,7% do total de argentinos pobres viviam em pobreza extrema, situação que afetava ainda 18,7% dos bolivianos, 29,1% dos guatemaltecos, 45,6% dos hondurenhos, 14,2% dos mexicanos e 29,5% dos nicaraguenses.