Um relatório do Sistema Económico Latino-Americano e das Caraíbas (SELA) revela que apesar da produção local de alimentos ser excedentária em trinta por cento, os altos preços dos alimentos originarão dez milhões de novos pobres e indigentes na América Latina, escreve a Lusa.

O relatório foi divulgado, este sábado, em Caracas no âmbito de uma reunião convocada, com carácter de urgência por aquele organismo, durante a qual os 26 países que constituem o SELA se comprometeram a avançar, a curto prazo, com «medidas de índole humanitária» para travar a crise provocada pelos altos preços dos alimentos.

Na reunião que precede uma outra convocada pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) a realizar-se em Roma, Itália, de 3 a 5 de Junho, os participantes defenderam ainda medidas políticas como a redução de impostos e que os países desenvolvidos eliminem os subsídios agrícolas porque «distorcem» o mercado e impedem os investimentos.

No entanto, para o representante da FAO na Venezuela, Francisco Árias Milla, Caracas tem condições «privilegiadas» para a produção de alimentos como o milho, pelos baixos preços do combustível e fertilizantes.

Explicou que os venezuelanos cobrem todas as necessidades energéticas e proteicas e que as suas preferências estão centradas no milho, produtos lácteos, feijões e carne, produtos cuja procura deve ser acompanha com atenção pelas autoridades.

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Insistiu que «o milho, no mundo, está a ser usado para produzir bio-combustível» o que reduz a oferta e ocasiona aumentos dos preços. O alto preço dos combustíveis e do crude é «um problema sério» que «afortunadamente» não afectará os venezuelanos.

Para o SELA, a produção de bio-combustíveis, as alterações climáticas, os subsídios, o aumento dos preços do petróleo e a grande procura de alimentos de países como a China e a Índia são alguns factores que originam a crise mundial que, na América Latina provocará o aparecimento de dez milhões de novos pobres e indigentes, além dos 52 milhões de pessoas que se prevê que terão dificuldades para alimentar-se.

No encontro de Caracas, participaram, entre outros, representantes dos 26 países da América Latina e Caraíbas, delegados da FAO, do Programa Mundial de Alimentos (PMA), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), do Escritório de Assuntos Humanitários da ONU, do Banco Inter-americano de Desenvolvimento (BID) e da Organização Panamericana da Saúde (OPS).