55 alunos do sétimo ano tiveram a primeira aula baseada no controlo da mente, de forma a melhorar o bem estar mental e emocional, na Escola Secundária Masculina do Governo, na capital da Índia, Nova Deli. Uma pausa nas tradicionais aulas de matemática, ciência e línguas é o novo plano curricular que visa transmitir inteligência emocional através de meditação, contar histórias e atividades focadas nas necessidades mentais e emocionais dos estudantes, noticia a CNN.

Se eu fizer tudo com o poder e controlo da mente, os meus conhecimentos aumentarão”, diz Suraj Sharma, um dos alunos com 12 anos.

O processo de controlar a mente inclui meditação e exercícios de respiração que ajudam a relaxar a mente, o que permite prestar uma maior atenção às matérias aprendidas na escola. Para evitar sobrecarregar os alunos, a turma não tem notas, livros, testes e trabalhos de casa.

Um dos exercícios desenvolvidos na segunda-feira baseou-se em manter os alunos de olhos fechados e foi-lhes pedido pelos professores que anotassem os sons que ouviam e focarem-se num. A maior parte dos alunos focou-se no próprio batimento cardíaco.

A proposta da existência deste tipo de aulas tem vindo a ser apoiada pelo governo. O Ministro da Educação, Manish Sisodia, anunciou o lançamento do programa em fevereiro e a escola masculina em Ghittorni é um dos mil estabelecimentos de ensino, em Dehli, que começou a lecionar este tipo de aulas, que têm uma duração de 30 a 45 minutos diários, desde segunda-feira.

Os alunos da Escola Secundária Masculina do Governo já começaram a ser regidos pelo novo plano curricular. Após a sessão de segunda-feira foram contadas histórias, que lançaram discussões entre terça-feira e quarta-feira.

Isto vai ajudar nas preocupações relativas ao nível decrescente de felicidade e bem estar enquanto o nível de stress, ansiedade e depressão continuam a subir”, publicou o ministro no Twitter.

 

Crianças felizes têm maior capacidade para aprender, tal como para dormir melhor e ter melhores sistemas de saúde imunitários. Crianças felizes aprendem rápido, pensam de forma mais criativa, tendem a ser mais resilientes face a problemas, têm relações mais fortes e fazem amigos mais facilmente”, palavras de Manish Sisodia.

De acordo com Puroitree Majumdar, um psicólogo clínico da Crianças Primeiro, as crianças enfrentam muito stress em termos académicos.

Estamos a olhar para uma educação baseada em valores, onde o foco está nos valores em geral, mais no processo das coisas do que no resultado final" acrescenta Majumdar.

De acordo com Rajesh Kumar, chefe do grupo formado para elaborar o plano curricular, o programa agrupa as crianças em três categorias de idade: do jardim de infância ao segundo ano, do terceiro ao quinto ano e do sexto ao oitavo.

Números da Organização Mundial da Saúde indicam que um em cada quatro jovens indianos com idades entre os 13 e 15 anos sofre de depressão. 11 por cento dos adolescentes da Índia entre os 13 e os 15 anos de idade sentem dificuldades em concentrar-se e, além disso, as taxas de suicídio em pessoas com idades entre os 15 e os 29 anos de idade rondavam os 35,5 por cento, em 2012, sendo o valor mais alto da Ásia.

A preparação dos professores

Decorreram sessões de treino com cerca de 21 mil professores, diretores e administradores de escolas num estádio em Nova Deli na última semana, nas quais instrutores explicaram o que é a "felicidade" e como pode ser transmitida aos alunos.

As crianças aprendem com o comportamento e as perspectivas dos professores, especialmente num curso como este. "Devem entrar com um sorriso. Como pode um professor que não conhece hindi ensinar hindi?" questionou Kumar, ilustrando que é preciso haver felicidade para espalhar felicidade.

Os professores receberam instruções de todas as unidades curriculares, como a atenção plena, atividades de valores chave e autoexpressão. A atenção plena permitirá que as crianças tenham uma melhor concentração e sejam menos distraídas. Histórias e atividades devem ajudar no desenvolvimento de valores, tornando-os mais centrados. A autoexpressão ajudará a autoestima e confiança dos alunos.

Alguns professores já tinham tentado implementar este tipo de aulas, mas a falta de unidades curriculares definidas não facilitou o processo.

As aulas irão dar-lhes algum tempo para serem felizes”, afirma Apra, uma professora que defende o plano curricular considerando-o uma lufada de ar fresco para os alunos, especialmente para aqueles de vêm de famílias economicamente mais fracas e podem lidar com problemas em casa.

Ao fazer algo como o novo modelo de aulas, Majumdar acredita que os professores começarão a olhar para as diferentes áreas de desenvolvimento das crianças e não apenas para o sucesso académico.

O desafio colocado aos professores será agora transmitido aos alunos e o trabalho desenvolvido pelos docentes será analisado por 200 mentores encarregues pelo Governo de vigiar o funcionamento quotidiano dos cursos nas escolas.  

Guiarão e facilitarão, certificando-se que os professores são sensíveis para com os alunos", conclui Rajesh Kumar.