O responsável militar máximo da NATO na Europa disse que ainda existe «trabalho a ser feito» na reforma das estruturas da organização, que também incluiu mudanças em Portugal, indicando porém que o processo entrou numa última etapa.

«Estamos na última etapa dessas mudanças. De facto, todas as estruturas que foram reorganizadas, transferidas ou redimensionadas [reduzidas] ainda não estão totalmente operacionais», disse o Comandante Supremo Aliado na Europa (SACEUR), general da força aérea norte-americana Philip Mark Breedlove, esta terça-feira, em conferência de imprensa, no âmbito de uma visita oficial de dois dias a Portugal.

A reforma da estrutura de comandos e agências da NATO, fechada em 2011, levou ao encerramento do comando operacional da organização em Oeiras, tendo no entanto, sido decidida a transferência para Portugal da STRIKFORNATO (força marítima de reação rápida) e da Escola de Comunicações e Sistemas de Informação, que estavam sediadas em Itália.

Breedlove esclareceu hoje que todas as mudanças estruturais estão ser alvo de avaliações, através de exercícios, sublinhando que dentro da Aliança Atlântica «nada é considerado como terminado até ser avaliado».

«Até ao momento, tem sido muito bem sucedido em termos de rede. Temos menos, mas temos estruturas muito capazes. Temos avaliado criteriosamente através de exercícios (...) e temos observado as suas atuações, em exercícios muito exigentes. Como comandante responsável em assinar a sua certificação, estou muito satisfeito», indicou.

«Ainda existe trabalho a ser feito, mas até agora tudo está a correr muito bem», concluiu Philip Mark Breedlove, numa conferência de imprensa que também contou com a presença do chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, o general Artur Pina Monteiro.

Em declarações aos jornalistas, Pina Monteiro referiu que o encontro com o responsável militar da NATO serviu para «trocar impressões» sobre a avaliação dos recentes acontecimentos «com implicações sérias no ambiente estratégico internacional», em particular a situação na fronteira leste da Aliança decorrente da crise na Ucrânia, mas também para abordar as missões militares em curso da organização internacional e a sua possível evolução.

Sobre as missões em que Portugal estará envolvido, o chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas referiu a participação portuguesa numa missão de policiamento aéreo nos países bálticos, com seis F-16 e um efetivo de 70 militares.

«A partir de setembro, Portugal vai estar envolvido numa missão nos (países) bálticos, uma missão de policiamento aéreo, em que já participou no passado, e naturalmente essa missão (...) ganha uma nova relevância estratégica face à situação que vivemos na fronteira leste com a crise na Ucrânia», indicou Pina Monteiro.

As forças portuguesas já tinham integrado em 2007 uma missão de policiamento aéreo nesta região.

«Aqui, Portugal mostra que é solidário e que de facto responde, no âmbito da defesa coletiva, com solidariedade, apesar de todas as restrições que são conhecidas no âmbito financeiro dos últimos anos», acrescentou.

O SACEUR, baseado em Mons, na Bélgica, é um dos dois comandantes estratégicos da NATO e o responsável pela condução de todas as operações militares da Aliança.