A Polícia Judiciária (PJ) deteve, esta segunda-feira de madrugada, um brasileiro investigado no âmbito da operação Lava Jato e que estava foragido às autoridades brasileiras. Raul Schmidt Felippe Junior, sócio do antigo diretor da Petrobras,  estava foragido desde julho de 2015, e foi agora preso preventivamente, no âmbito do cumprimento de uma carta rogatória emitida pelas autoridades brasileiras. O seu nome tinha sido incluído no alerta da Interpol em outubro do ano passado.

A operação que deu origem à detenção de Schmidt Jr. envolveu a Polícia Judiciária portuguesa, um procurador português, o procurador brasileiro Diogo Castor de Mattos (responsável pela investigação), um juiz português e o agente da polícia federal brasileira Luciano Lima (que também fez buscas na casa de Lula da Silva), apurou a TVI. A detenção constitui a primeira operação internacional da investigação e é a 25ª fase desde o início das investigações iniciadas em março de 2014, que desmantelaram o megaesquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a Petrobras. As diligências foram coordenadas pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal

A TVI apurou ainda que Schmidt foi detido num apartamento, numa "área nobre" de Lisboa. O imóvel está avaliado em cerca de três milhões de euros. 

A Operação Lava Jato, investigada pela polícia federal brasileira, começou em março de 2014, é liderada pelo juiz Sérgio Moro e é considerada já uma das maiores investigações a atos de corrupção e branqueamento de capitais no Brasil.

De acordo com as autoridades brasileiras, foram cumpridos mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva. Raul Schmidt era suspeito do pagamento de luvas aos ex-diretores da estatal petrolífera Renato de Souza Duque, Nestor Cerveró e Jorge Luiz Zelada. Estes antigos dirigentes da Petrobras estão atualmente todos detidos em Curitiba pela participação no esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

As autoridades suspeitam que, além de atuar como operador financeiro no pagamento de luvas aos agentes públicos da Petrobras, Schmidt também aparece como intermediário de empresas internacionais na obtenção de contratos de exploração de plataformas da Petrobras.

Raul Schmidt é brasileiro, mas possui também naturalidade portuguesa. De acordo com comunicado emitido pela Procuradoria brasileira, Raul Schmidt vivia em Londres, onde mantinha uma galeria de arte, e mudou-se para Portugal após o início da operação Lava Jato, precisamente por causa da dupla nacionalidade.

Autoridades brasileiras querem extradição

A Procuradoria-Geral da República (PGR) avança que as autoridades brasileiras querem extraditar o luso-brasileiro. Em comunicado, a PGR, sem indicar o nome do detido, explicou que a operação que levou à detenção de Raul Schmidt num apartamento de luxo no centro de Lisboa envolveu diversas diligências, designadamente buscas, e que "foram acompanhadas por uma equipa do Ministério Público brasileiro".

A PGR adianta que já recebeu das autoridades brasileiras três cartas rogatórias relacionadas com esta matéria, mantendo-se duas em execução.

O detido irá ser presente ao Tribunal da Relação de Lisboa.