A Polícia Federal (PF) brasileira deteve esta segunda-feira o ex-ministro José Dirceu, um dos homens mais influentes do Governo do ex-presidente Lula da Silva e já condenado por corrupção em 2005, por alegadamente estar envolvimento nas irregularidades da Petrobras.

Dirceu foi condenado a 10 anos e onze meses de prisão devido ao escândalo do “mensalão” (pagamento a parlamentares para votarem em projetos de lei do Governo) no primeiro mandato de Lula da Silva, e agora, segundo a polícia, foi detido por suspeita de ter tirado benefício dos desvios de dinheiro na empresa petrolífera estatal brasileira.

O ex-ministro, que ocupou o cargo de ministro da Presidência entre 2003 e 2005, foi detido na sua residência, em Brasília, na qual cumpre há seis meses a pena em regime de prisão domiciliária, depois de ter estado um ano e meio preso efetivamente.

A Polícia Federal (PF) cumpre, desde a manhã desta segunda-feira, 40 mandados judiciais, sendo que a ordem judicial contra José Dirceu é de prisão preventiva por tempo indeterminado.
 
Segundo noticia a Globo, o irmão do ex-ministro, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, também foi detido durante a 17ª fase da Operação Lava Jato, com ordem para cumprir prisão temporária que tem duração de cinco dias.
 
O advogado que representa José Dirceu, Roberto Podval, já reagiu à detenção, mas adiantou apenas que quer conhecer as razões que levaram à detenção antes de se pronunciar publicamente.
 
Na operação desta segunda-feira, que conta com cerca de 200 polícias federais, os investigadores querem saber se a empresa que tinha como sócios José Dirceu e seu irmão, a JD Consultoria, prestou serviços a empresas que desviaram dinheiro da Petrobras ou se os contratos eram apenas uma maneira de disfarçar dinheiro desviado da estatal do petróleo.
 
As ordens judiciais determinam ainda o arresto de bens e bloqueio de ativos financeiros, segundo adiantou a Polícia Federal, citada pela imprensa brasileira. Entre os crimes investigados, estão a corrupção ativa e passiva, a associação criminosa, a falsidade ideológica e a lavagem de dinheiro.
 
A operação foi batizada de Pixuleco, termo que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto usava para falar sobre as “luvas” de “baixo valor” que recolhia das empresas que tinham contratos com a Petrobras. Segundo o empreiteiro Ricardo Pessoa, sempre que a sua empresa fechava um negócio, o ex-tesoureiro do PT aparecia para cobrar o “pixuleco” ou seja 1% do valor do contrato.
 
A 16ª fase da operação Lava Jato, batizada de Radioatividade, foi realizada no dia 28 de julho, cumpriu mais de 20 mandatos judiciais e levou à prisão o diretor-presidente licenciado da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, e o presidente global da AG Energia, ligada ao grupo Andrade Gutierrez, Flávio David Barra.
 
Os dois são investigados por lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção nas obras da usina nuclear de Angra 3, localizada na praia de Itaorna, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.