Os pais de Peter Kassig, que foi raptado pelo Estado Islâmico na Síria, divulgaram uma carta que o filho lhes escreveu durante o cativeiro, revela a BBC. O jovem, de 26 anos, surge no vídeo da decapitação de Alan Henning, e o carrasco do Estado Islâmico ameaça matá-lo.

«Tenho medo de morrer», escreveu Kassig na carta, recebida a 2 de junho pelos pais. 

O refém, de 26 anos, que se converteu ao Islão, preferindo ser conhecido pelo seu nome muçulmano Abdul-Rahman Kassig, afirmava ainda que estava bastante triste com a dor que o seu cativeiro estava a causar na família. 

Ed e Paula Kassig decidiram revelar excertos da carta do filho para que «o mundo percebesse porque é que eles e tantas pessoas se preocupam com ele e o admiram».





«Obviamente, estou com muito medo de morrer mas a pior parte é não saber, duvidar, ter esperanças, e questionar se deveria sequer ter esperanças. Estou muito triste com tudo o que aconteceu e por tudo o que vocês estão a passar. Se eu morrer, acho que, pelo menos, podemos procurar conforto em saber que isto aconteceu enquanto eu tentava ajudar aqueles que precisavam. No que respeita à minha fé, rezo todos os dias e nesse sentido não estou zangado com a situação», escreveu Kassig, antes de terminar a carta com um «Amo-vos».

De acordo com os pais, Peter Kassig foi raptado enquanto trabalhava na organização de Resposta Especial de Emergência e Assistência (SERA), no leste da Síria, há um ano.

Desde agosto, o Estado Islâmico já decapitou quatro reféns. O jornalista norte-americano James Foley, que desapareceu na Síria quase há dois anos, foi decapitado a 19 de agosto. Steven Sotloff, de 31 anos, foi o segundo jornalista a ser decapitado pelo grupo, a 2 de setembro. A 13 de setembro, o  Estado Islâmico anunciou ter morto o terceiro refém estrangeiro:  David Haines, de 44 anos, que foi raptado no ano passado. A última decapitação foi anunciada na passada sexta-feira, 3 de outubro.  O trabalhador humanitário britânico Alan Henning, de 44 anos, foi decapitado depois de nove meses em cativeiro.  O grupo extremista justifica a execução com a necessidade de represálias contra os ataques aéreos no Iraque.