A subida generaliza das temperaturas, o derretimento dos glaciares e outros efeitos das alterações climáticas representam «riscos imediatos» para a segurança nacional dos Estados Unidos e as suas operações militares e humanitárias no mundo, assumiu hoje o Pentágono.

Num relatório apresentado como um guião para uma adaptação às mudanças climáticas, o departamento da defesa norte-americano explica que começou a organizar-se para que as suas missões não sejam comprometidas pelo aumento do nível das águas, as catástrofes naturais mais frequentes ou escassez de água e alimentos nos países em desenvolvimento.

«A mudança do clima vai afetar a capacidade do Departamento de defender a Nação e apresenta riscos imediatos para a segurança nacional dos Estados Unidos», estimou o Pentágono.

«Um clima que muda terá repercussões reais sobre o nosso exército e na forma como executa as missões», prosseguiu.

Este roteiro visa uma adaptação às mudanças climáticas perante os riscos em cenários de guerra, planos estratégicos de defesa e a forma como o exército transporta as provisões.

Falando durante uma conferência no Peru, o secretário da Defesa norte-americano, Chuck Hagel, traçou um quadro sombrio sobre o derretimento dos glaciares, as tempestades cada vez mais violentas e colheitas pobres devido à seca, afetando milhões de pessoas e que podem «acarretar vagas de emigração massivas».

«Temos visto esses acontecimentos noutras regiões do mundo e existem sinais inquietantes que nos levam a pensar que as alterações climáticas podem por gravemente em perigo a estabilidade do nosso hemisfério», acrescentou durante a conferência, que reúne ministros da Defesa do continente americano.

«A preparação dos nossos militares poderá ser testada e as nossas capacidades reforçadas», sugeriu Hagel, referindo que «as catástrofes naturais, que são mais frequentes e mais intensas, podem implicar mais apoio às autoridades civis e de ajuda humanitária».

Esses desafios podem prejudicar os governos já frágeis e «abrir caminho às ideologias extremistas e criar condições para encorajar o terrorismo», defendeu.

Evocando a conferência da ONU sobre o clima em dezembro, em Lima, Chuck Hagel considerou que os chefes da Defesa «devem fazer parte desta discussão geral».