Um tribunal do Arizona, nos Estados Unidos, retirou a condenação de homicídio do filho a uma mulher que estava há 22 anos presa e condenada à morte.
 
Debra Milke, agora com 50 anos, é novamente uma mulher livre, depois de ter tido a execução marcada em 1997 e prorrogada devido a um recurso interposto pela defesa. Havia de passar 17 anos mais no corredor da morte.
 
A mulher, filha de uma alemã e de um oficial norte-americano, foi condenada pelo homicídio do filho, em 1990.
 
Christopher, de quatro anos, foi morto no deserto em dezembro de 1989, com três tiros. O Ministério Público alegou que a mãe tinha contratado dois homens – também condenados e que continuam no corredor da morte – para assassinar o filho, que não queria que fosse viver com o pai.
 
A condenação da mulher baseou-se na alegada confissão que fez a um procurador do Arizona, mas que não foi gravada. Perante as suspeitas da falta de rigor e de mentira que recaíram entretanto sobre esse inspetor, o tribunal que avalia os recursos, viu-se na necessidade de libertar Debra Milke e ilibá-la das acusações, por falta de prova.
 
O comportamento do procurador Armando Saldate foi considerado pelo tribunal como «uma severa machadada na justiça do Arizona», cita a Associated Press.
 
Por seu turno, o ex-marido de Debra Milke manifestou-se contra esta decisão, já que não acredita na inocência da mulher.
 
A defesa de Debra mostrou-se «encantada» com a decisão e espera agora que o caso termine aqui, mas a acusação ainda pode apelar para o Supremo.
 
Debra Milke estava em liberdade mediante o pagamento de caução desde Setembro de 2013, aguardando a eventual repetição do julgamento, mas este tribunal entendeu que isso seria «prejudicial» e «que este caso deve ficar como único na história da justiça do Arizona».
 
A caução foi paga com o dinheiro angariado na Alemanha – terra natal da mãe – e noutros países europeus onde Debra Milke reuniu apoios à sua causa.
 
A mãe de Debra Milke morreu em 2014, vítima de cancro, sem ver a filha totalmente em liberdade e livre das acusações. Embora em liberdade condicional, as autoridades não deram autorização a Debra Milke para visitar a mãe na Alemanha nos últimos momentos da sua vida.