O bombista do atentado na maratona de Boston, já condenado, Dzhokhar Tsarnaev, é um terrorista sem remorsos e merece morrer por ter assassinado norte-americanos inocentes em nome da política, defenderam esta quarta-feira os procuradores aos jurados no final do julgamento.

Falando em nome do Ministério Público, o advogado Steven Mellin lembrou aos jurados o que Tsarnaev escreveu quando esteve no barco aonde foi capturado, alegando que não gostava de "matar inocentes" mas, naquele caso, era "permitido porque [havia] a necessidade de a América ser punida".

"Essas são as palavras de um terrorista convicto de que fez a coisa certa", alegou o advogado. E acrescentou:

"Não há nenhuma outra punição que não a morte"


Já Judy Clarke, o advogado de Tsarnaev, disse nas alegações finais, não ter uma explicação para um "bom rapaz" como o seu cliente se ter envolvido naquela conspiração mortal, mas  argumentou que ele não é o pior dos piores criminosos a quem a pena de morte pode estar reservada. Tentou, depois, fazer com que o júri refletisse:

"Vale a pena salvar a sua vida?Há esperança para ele? Será esta uma vida digna de redenção?"


O jovem de 21 anos foi considerado culpado, no mês passado, de ter organizado a 15 de abril de 2013 o duplo atentado, considerado o pior registado nos Estados Unidos desde os ataques levados a cabo pela Al-Qaida em 11 de setembro de 2001.

Estava acusado por 30 crimes e foi declarado culpado de todos.  Dezassete deles são passíveis de pena de morte e foram reveladas, nesta reta final do julgamento, imagens comprometedoras que podem mesmo ditar esse destino ao jovem com agora 21 anos. Em causa, está um gesto com o dedo do meio, com uma conotação muito negativa, de olhar fixo em frente à câmara da sua cela. 

Quem esteve dentro da sala de audiências no dia da decisão judicial, descreveu-o como tendo estado «impassível» quando lhe foi comunicado o veredicto. Mais um argumento que a acusação usa para frisar que Tsnarvaev não mostra qualquer arrependimento. 

O atentado de Boston provocou três mortos e 264 feridos em consequência do rebentamento de dois engenhos explosivos de fabrico artesanal, colocados junto à linha de chegada da prova da maratona.