A fome é uma realidade cada vez mais gritante na Venezuela. Para além dos assaltos a supermercados e a padarias e da ingestão de comida para cães por falta de alimentos, as pessoas estão até a invadir campos privados com o objetivo de matarem gado para terem o que comer. Matam os animais à pedrada. Um destes casos foi divulgado no Twitter, num vídeo desaconselhado às pessoas mais sensíveis.

Neste vídeo, vê-se uma dúzia de homens a perseguir a vaca num campo, apedrejando-a até à morte. 

Eles estão a caçar. As pessoas estão com fome!".

É o que se ouve o narrador do vídeo dizer, que filmou a cena a partir do seu carro. 

A Reuters cita o deputado por Mérida, Carlos Paparoni, do partido Primero Justicia, que deu a indicação de que aproximadamente 300 animais foram já abatidos. Não é uma informação confirmada oficialmente.

Este deputado foi uma das pessoas que partilhou o vídeo no Twitter. Lembramos, mais uma vez, que pode impressionar as pessoas mais sensíveis. Tem sempre a opção de não clicar e não ver.

A mesma agência de notícias conta a história de Zuley Urdaneta, um veterinário de 50 anos em Mérida, que testemunhou a pilhagem de um camião na estrada, na última quinta-feira. Duas horas depois, cerca de 800 pessoas roubaram um centro de recolha de alimentos. 

Derrubaram os portões e roubaram farinha, arroz, óleo de cozinha, gás de cozinha. A polícia e a Guarda Nacional tentaram controlar a situação, dando o que restava".

Há dois dias, uma dezena de pessoas assaltou uma padaria de portugueses no Estado venezuelano de Vargas, roubando bens no valor de 50 milhões de bolívares (3,7 milhões de euros à taxa oficial Sicad). Os assaltantes levaram todos os queijos, enchidos e sumos de fruta que havia no estabelecimento.

Pelo menos quatro pessoas morreram nos últimos dois dias e dez ficaram feridas, não tendo sido especificadas as circunstâncias. 

Na semana passada, numa tentativa de combater a "especulação", as autoridade forçaram mais de 200 supermercados a baixar os preços. Uma situação que provocou o caos, evidente no desespero dos venezuelanos ao tentar comprar comida mais barata. 

Fome em massa, num país com 30 milhões de pessoas, quatro anos de recessão e consequências que se espelham numa escassez gritante de alimentos. A inflação a disparar de forma galopante impede que as pessoas consigam comprar bens que são considerados essenciais.

O regime socialista autoritário do presidente Nicolas Maduro atira culpas sempre aos outros. Depois de apontar o dedo a Portugal e à Colômbia pelo facto de os pernis de porco não terem chegado à mesa dos venezuelanos a tempo do Natal, o chefe de Estado responsabilizou o chefe do parlamento, o opositor Julio Borges, de sabotar as importações do país.