O mistério já dura há onze anos. No último domingo, apareceu mais um pé humano nas margens da Ilha de Vancouver, na região da Columbia Britânica, no Canadá. É o 14º pé encontrado desde 2007 e as autoridades, apesar de várias teorias, não têm ainda uma explicação clara para o fenómeno.

O mistério adensa-se quando percebemos que todos os pés deram à costa, levados pelas marés, calçados em ténis de corrida e que na grande maioria são pés direitos.

Leia também: O mistério dos pés humanos que dão à costa no Canadá

A última descoberta bizarra ocorreu na ilha Gabriola, no estreito de Geórgia, no domigo, quando um homem andava ao longo da praia, pouco depois do meio-dia, adiantou a polícia do Canadá, citada pela imprensa.

A descoberta foi a última de uma série que há muito intriga não só as autoridades, como também curiosos de todo o mundo. As teorias são várias, mas até agora não há provas científicas que explicam o que está a acontecer. Ainda assim, há pistas.

Uma das primeiras explicações adiantava que estávamos perante restos mortais de desastres naturais, tais como o tsunami de 2004, ou acidentes de barcos. Há ainda quem aponte que os pés podem ser “obra” de um serial killer ou de crime organizado.

Ainda que sem certezas, a explicação pode, afinal, ser bem mais simples. Barb McLintock, a médica legista local explicou, em 2016, ao The Guardian, que o facto de as sapatilhas de corrida serem feitas com materiais leves e duráveis acaba por, por um lado, proteger o pé da decomposição, e por outro, atuar como flutuador e puxar os restos mortais para a superfície.

Ao longo de mais de uma década, as autoridades conseguiram identificar alguns dos pés humanos. Em dezembro de 2017, foi encontrado um pé que pertencia a um homem de 79 anos que vivia em Washington, que desapareceu e que acabou por mais tarde ser encontrado morto, sem que as autoridades saibam ainda o que aconteceu.

A polícia do Canadá descartou na maioria dos casos a hipótese de crime, uma vez que não foram encontrados sinais de violência. Oito dos 14 pés foram já identificados e as autoridades locais acreditam os indivíduos suicidaram-se ou morreram acidentalmente, com os pés a separarem-se naturalmente dos corpos.

Apesar das investigações, os pés humanos continuam a aparecer.