A líder do partido de extrema-direita One Nation entrou no senado australiano, esta quinta-feira, vestida com uma burca. Pauline Hanson e o seu partido querem banir o uso da burca em espaços públicos na Austrália. O procurador-geral, George Brandis, condenou a encenação.

Segundo o jornal australiano The Sydney Morning Herald, quando a líder do partido de extrema-direita entrou, os senadores ficaram chocados e o presidente do senado, Stephen Parry, confirmou que era Pauline Hanson que estava coberta com uma burca.

A senadora, que acabou por tirar a burca antes de começar o seu discurso, defendeu, num depoimento online, de acordo com a BBC, que “a necessidade de banir a cobertura total da cara em público é uma questão importante para a Austrália moderna”.

Num discurso emotivo, George Brandis alertou Pauline Hanson para o risco de estar a alienar cerca de 500 mil australianos que seguem a religião muçulmana.

Ridicularizar essa comunidade, encurralá-la a um canto e gozar com os seus trajes religiosos é uma coisa terrível e peço-lhe que reflita no que acabou de fazer. Não, senadora Hanson, não proibiremos a burca”, sublinhou o procurador-geral australiano, citado pelo The Sydney Morning Herald.

George Brandis foi aplaudido de pé pelos partidos de oposição, que também criticaram a postura de Pauline Hanson.

Uma coisa é usar roupa religiosa como um gesto sincero de fé, outra completamente diferente é usá-la como um número aqui no senado”, afirmou a senadora do Partido Trabalhista australiano, Penny Wong, de acordo com a BBC.

Pauline Hanson tem gerado polémica desde que foi eleita, em 1996, para o parlamento. Já em 2016 disse que a Austrália estava “inundada por muçulmanos”. Em junho, foi obrigada a desculpar-se depois de afirmar que as crianças autistas deviam ser afastadas das salas de aula.