Paula tinha apenas 14 anos quando foi diagnosticada com uma doença rara. Cerca de quatro anos depois, os médicos continuam sem conseguir diagnosticar de forma conclusiva que doença faz sofrer a jovem chilena.

Em fevereiro, a família de Paula Díaz partilhou um vídeo no Twitter que mexeu com o Chile. Nas imagens, é possível ver como mudou a vida da jovem desde o fim de 2013. Segundo a família, Paula faz movimentos involuntários, tem os membros paralisados, tem momentos de perda da consciência e dores insuportáveis.

No vídeo, a jovem pede, de forma desesperada, à presidente do país que autorize a sua eutanásia, prática proibida no Chile, por não aguentar suportar mais a dor. O apelo já passou as fronteiras do país.

"[A dor] É algo tão terrível que não consigo descansar. Nem de dia, nem de noite. Já não suporto o meu corpo. Está despedaçado. Não consigo apoiar qualquer parte do meu corpo sem sentir dor. Como não conseguem entender que já não aguento mais?", questiona Paula da cama onde passa os dias.

 

Em poucos dias, as imagens ultrapassaram um milhão de visualizações, dividiram opiniões e reacenderam o debate sobre a eutanásia no Chile. 

Graças a Paula, o assunto chegou mesmo à agenda de alguns políticos que têm usado o caso da jovem para discutir a legalização do suicídio assistido no país, até porque a ausência de informações concretas sobre o seu problema de saúde ajudam a que o debate ganhe novos contornos.

Em declarações à BBC Mundo, Vanessa Díaz, irmã de Paula, conta que a jovem foi hospitalizada com sintomas que os médicos diziam estar relacionados com tosse convulsa. 

 

"A nossa família relaciona o que aconteceu ao facto de a Paula, pouco antes de ser hospitalizada, ter tomado a vacina Tdpa (para a difteria, tétano e tosse convulsa). A primeira vez que ela foi hospitalizada foi por tosse convulsa, supostamente", conta Vanessa, acrescentando que a família e alguns médicos acreditam que um vírus presente na vacina ter-se-à alojado na medula de Paula causando a doença que ninguém consegue identificar.

A irmã de Paula diz ainda que as incertezas dos médicos, quanto ao diagnóstico de danos cerebral, aumentam quando se tem em conta um relatório médico de um conceituado hospital chileno, a Clínica Bicentenario.

"Quando foi internada pela terceira vez, submeteram-na a uma série de exames e chegaram à conclusão de que não havia nenhum dano neurológico. Foi-nos dito que a minha irmã tinha síndrome da conversão (doença psiquiátrica rara que gera sintomas que se assemelham aos de uma doença neurológica) e que era ela que causava os sintomas em si mesma".

Após este diagnóstico, o hospital sugeriu transferir a jovem para uma clínica psiquiátrica, mas a família recusou, alegando "saber que não é nenhum problema psiquiátrico" e desde 2015 que recusa submeter Paula a novos exames. 

Perante a doença de Paula, a família decidiu apenas apoiar a sua decisão de tentar a eutanásia.

"Estamos a respeitar a vontade da Paula. Não queremos que ela continue a ser internada. Como, supostamente, é uma paciente psiquiátrica, em muitos momentos pergunta-lhe o que sente e tratam-na como louca ou alguém que está fora de si. E ela não quer passar mais por isso. Ela já está há mais de quatro anos prostrada numa cama, confinada entre quatro paredes, não se consegue sentar numa cadeira de rodas para se movimentar pela casa. Não é certo viver assim, vendo que o corpo falha a cada dia. Ela tem tanta dor que só quer morrer."

Apesar de não haver certezas sobre a doença de que sofre Paula, o caso foi o suficiente para reativar o debate sobre a eutanásia no Chile. O país legalizou o aborto há pouco tempo - apenas em casos de violação, risco de vida da mulher e inviabilidade fetal - e debate agora a reinstalação da pena de morte no país.