Paul Manafort, diretor de campanha eleitoral de Donald Trump, foi considerado esta terça-feira culpado de oito crimes, incluindo evasão fiscal e fraude bancária, de um total de 18 acusações.

Manafort foi considerado culpado de cinco crimes de evasão fiscal, dois de fraude bancária e ainda por ter escondido a existência de uma conta bancária no estrangeiro. 

O diretor de campanha de Trump era ainda acusado de esconder milhões de dólares ao fisco, conseguidos com serviços de assessoria a políticos apoiados pela Rússia.

No tribunal de Alexandria, perto de Washington, o júri chegou a acordo em apenas oito das 18 acusações que pesavam contra Manafort, no final do primeiro julgamento diretamente resultante da investigação sobre uma eventual ingerência russa nas eleições presidenciais de 2016 de que saiu vencedor o atual inquilino da Casa Branca, o magnata nova-iorquino do imobiliário Donald Trump.

Não conseguimos chegar a um consenso em dez das acusações”, indicaram os jurados, num comunicado lido na audiência.

O julgamento de Manafort integra-se na investigação que tem sido levada a cabo pelo procurador especial Robert Mueller sobre a suspeita ingerência russa nas presidenciais norte-americanas de 2016.

Paul Manafort entregou-se à justiça em outubro do ano passado, na sequência dessa investigação.

Apesar de ter sido condenado por crimes do foro económico, as implicações do veredicto voltam a acentuar a polémica em torno da campanha de Donald Trump e as suas alegadas ligações ao Kremlin.

Em reação à sentença, o presidente já lamentou a condenação de Manafort e assegurou que o caso nada tem a ver com alegadas ligações à Rússia. Nem sequer consigo.

Sinto-me desgostoso por causa de Paul Manafort", disse Trump, num comício na Virgínia, acrescentando que o caso "não me envolve".

Não tem nada a ver com qualquer conluio com os russos. Continua a caça às bruxas", disse Trump.

Cohen diz-se culpado

Em Manhattan, também esta terça-feira, o antigo advogado de Trump. Michael Cohen considerou-se culpado, quando confrontado com a acusação de ter violado as leis financeras da campanha eleitoral.

Cohen disse que agiu assim, por indicação do "candidato",  agindo com o "propósito de influenciar a eleição".

De acordo com a BBC, a confissão de Cohen estará relacionada com o dinheiro pago a alegadas amantes de Donald Trump.

Cohen admitu oito acusações, incluindo fraude fiscal e bancária, num acordo judicial com os procuradores.

De acordo com a BBC, as acusações contra Cohen podem implicar a sua detenção.

A sentença ficou marcada 12 de dezembro, sendo que o juiz permitiu-lhe agora ir em liberdade, pagando uma fiança de 500 mil dólares (432 mil euros), entregando o passaporte e ficando impedido de possuir qualquer arma de fogo.