Atualizada às 11:21

A jovem militante paquistanesa Malala Yousafzai, que defende o direito das mulheres à educação foi galardoada com o Prémio Sakharov, atribuído pelo Parlamento Europeu (PE), foi anunciado esta quinta-feira.

A escolha foi feita por unanimidade pelos líderes dos grupos políticos do PE.

«Hoje, decidimos dizer ao mundo que a nossa esperança por um futuro melhor está em jovens como Malala Yousafzai», disse o líder do Partido Popular Europeu (PPE, o maior grupo político do PE), Joseph Daul.

Também o líder dos Socialistas e Democratas (S&D, o segundo grupo), Hannes Swoboda, sublinhou que Malala é «uma jovem que arrisca a vida por valores e princípios em que ela ¿ e nós ¿ acreditamos: igualdade entre homens e mulheres e o direito à educação para todos».

A candidatura de Malala Yousafzai, que aos 11 anos, em 2009, começou a defender a educação feminina no vale de Swatt, no Paquistão, era apoiada pelos líderes dos três maiores grupos políticos do PE.

Malala Yousafzai sobreviveu ao ataque de um talibã, que a baleou na cabeça, tendo-se tornado um símbolo da luta pelos direitos das mulheres e pelo acesso à educação.

O seu nome integrava a lista de três finalistas ao Prémio Sakharov, tendo batido os dissidentes bielorrussos Ales Bialatski, Eduard Lobau e Mykola Statkevich e ainda o analista informático que denunciou os programas de vigilância dos EUA, Edward Snowden.

A cerimónia de entrega do galardão ¿ no valor de 50 mil euros - realiza-se no dia 20 de novembro.

O Prémio Sakharov para a liberdade de pensamento foi atribuído em 2012 ao cineasta Jafar Panahi e à advogada e ativista Nasrin Sotoudeh, ambos iranianos, tendo esta última sido entretanto libertada da prisão.

Nelson Mandela e o dissidente soviético Anatoly Marchenko (a título póstumo) foram os primeiros galardoados, em 1988.

Em 1999, o prémio Sakharov foi entregue a Xanana Gusmão (Timor-Leste) e, em 2001, a Zacarias Kamwenho (Angola).

Ícone global da luta pela educação

Malala Yousafzai sobreviveu a uma tentativa de homicídio pelos talibãs e hoje é um ícone global da luta pela educação das raparigas e pela paz.

Na sua recuperação após ser alvejada na cabeça por um atirador talibã, a ativista de 16 anos emergiu como um baluarte para todos os que querem ultrapassar a violência e a intolerância com dignidade.

Em julho, foi aplaudida de pé na Assembleia Geral das Nações Unidas após prometer que nunca seria calada. Esta quinta-feira, ganhou o prestigiado prémio Sakharov pela Liberdade de Pensamento atribuído pelo Parlamento Europeu.