Roger Torrent era até aqui uma das maiores promessas da Esquerda Republicana (ERC). Hoje, o estatuto de nova estrela política foi confirmado: aos 38 anos, Torrent tornou-se o mais jovem presidente do parlamento catalão e logo num momento em que a região vive uma grande instabilidade política. Este politólogo, com uma longa carreira dedicada à ERC, que gosta de correr e que já deu que falar pelo seu físico, é o homem do momento na Catalunha.  

No seu primeiro discurso como presidente do parlamento catalão, Torrent disse que o primeiro passo necessário na Catalunha é "pôr fim imediatamente à intervenção nas nossas instituições". O republicano lembrou os antigos responsáveis catalães que estão presos preventivamente e em Bruxelas.

Neste momento a responsabilidade é ainda maior dado o contexto complexo e anómalo que temos pela frente. Quero recordar que há três deputados desta câmara que estão em prisão preventiva. Outros cinco deputados e o presidente Puigdemont estão em Bruxelas, avisados para a mesma situação caso regressem ao país."

Torrent pediu "respeito pelos votos do povo e pela vontade popular". "A cidadania deu-nos o seu voto de confiança. Não podemos decepcionar", sublinhou.

A eleição como presidente do parlamento da Catalunha é, até agora, o ponto mais alto da já longa carreira política de Torrent. Um percurso dedicado à ERC, partido pelo qual milita desde os 19 anos, e à terra de onde é natural, Sarrià de Ter, município da província de Girona.

Aos 20 anos, Torrent já era conselheiro no seu município e em 2007 tornou-se presidente da câmara. Foi porta-voz da ERC no círculo de Girona entre 2011 e 2012, ano em que foi eleito para o parlamento catalão.

No plano académico, estudou Ciências Políticas e Administração na Universidade Autónoma de Barcelona. Uma licenciatura que completou com um mestrado em Estudos Territoriais e Urbanísticos na Universidade Politécnica da Catalunha e na Universidade Pompey Fabra. 

Recentemente, era apontado com a grande promessa da ERC e com Oriol Junqueras preso preventivamente, foi Torrent que assumiu um papel de maior destaque na campanha para as eleições de 21 de dezembro, participando até no primeiro debate televisivo da campanha.

Antes, Torrent já tinha protagonizado um dos momentos de maior tensão no plenário em que foi declarada a independência. Foi ele que tomou a palavra para pedir que a votação fosse secreta - o que suscitou a ira dos deputados da oposição.

É casado e pai de duas filhas, Alda, de cinco anos, e Elna, de sete. O nome Elna é uma homenagem à maternidade que acolheu o nascimento de 400 bebés refugiados da Guerra Civil espanhol, no sudeste de França.

Nas eleições de 21 de dezembro, Torrent foi votar acompanhado das meninas e partilhou uma imagem do momento no Twitter.

Numa entrevista durante a campanha, o deputado revelou que, este ano, a sua árvore de Natal estava decorada de amarelo, para lembrar Junqueras e os outros os políticos presos em Bruxelas.

Nos tempos livres, diz que gosta de ler - é fã das obras de Stefan Zweig e de Emmanuel Carrère - e sempre que pode sai para correr.

Mas não terão sido apenas as corridas que, há alguns anos, transformaram a sua imagem e de forma radical. 

Em 2012, para as eleições regionais, Torrent tinha um rosto de formas redondas, sem barba e usava óculos. Algo bem diferente da imagem de hoje: sem óculos e com barba, que fazem acentuar as formas retas do rosto. Uma mudança que ainda hoje dá que falar.