O francês de 55 anos tinha ido com o filho, de 19 anos, e um amigo deste ao concerto da banda rock norte-americana Eagles of Death Metal no Bataclan. Havia “uma boa atmosfera” no início do espectáculo, descreveu. A um dado momento, tudo mudou.

“Ouvi os primeiros disparos e pensava que era fogo de artifício. Era um espectáculo rock por isso pensava que fosse algum tipo de fogo de artifício. Mas depois ouvi novos disparos. E as pessoas iam caindo no chão…”

Foi precisamente quando as pessoas começaram a cair no chão que Grégoire Philonenko percebeu que o som daquilo que pensava ser fogo de artificio era, na verdade, o som de tiros, de balas que trespassavam os corpos dos que ali se encontravam. Os terroristas do Bataclan já tinham começado a carnificina que provocou 89 mortos.

Deitou-se no chão, fingindo-se de morto, ao lado do filho. 

"Disse ao meu filho: 'Sou um homem morto, está tudo acabado. Tu, tu não te mexas'."

Um dos atacantes caminhava entre os corpos que se espalhavam pela sala. Abatia os que ainda estavam vivos. A um dado momento aproximou-se de Grégoire e pontapeou-o duas vezes para perceber se estava morto. O francês não reagiu. Tinha uma prótese na perna. Ao seu lado, a escassos centímetros, um homem foi abatido com um tiro na cabeça.

"Não sei porque ainda estou vivo, só o estou por causa das minhas pernas."

"Passei pelos cadáveres que estavam em todo o lado. Não sei por que ainda estou vivo, só o estou por causa das minhas pernas."