"A França está em guerra!"


A frase de François Hollande foi proferida frente ao Congresso e o Parlamento, naquela que é a terceira vez desde 1848 que um presidente aí se dirige. A situação que o país atravessa é ímpar e o presidente foi apresentar um pacote de medidas de segurança para fazer face aos atentados que enlutam o país depois dos acontecimentos de 13 de novembro, que deixaram 129 mortos e mais de 300 feridos. "Há 19 nacionalidades entre as vítimas", adiantou Hollande.

Os ataques de Paris foram planeados na Síria,  organizados na Bélgica e levados a cabo na França, diz o presidente francês.

"A minha vontade é de colocar toda a força do Estado ao serviço da proteção dos cidadãos. (...) Os terroristas acreditavam que os povos livres se deixavam impressionar pelo horror".

"Os franceses são um povo forte, bravo, corajoso, que não se resigna nunca e que se levanta cada vez que um dos seus filhos cai".


Num discurso em que promete acabar com o terrorismo, o  presidente francês disse que vai intensificar os ataques ao Estado Islâmico. Hollande quer uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas contra o terrorismo.

“Entretanto, a França vai intensificar as suas operações na Síria”, descrevendo o Estado Islâmico como “a maior fábrica de terroristas que o mundo já conheceu”.

 
François Hollande irá encontrar-se nos próximos dias com Barack Obama e Vladimir Putin, que também bombardeiam o Daesh, mas em operações que não estão coordenadas. O presidente francês quer uma única grande coligação de ataque ao Estado Islâmico.
 
O presidente francês assume que as medidas de segurança vão aumentar as despesas do Estado.

“A segurança é mais importante do que as regras orçamentais da União Europeia”, justificou.

Para aumentar a segurança, anuncia que não haverá cortes no orçamento da Defesa até 2019. E, no que toca à segurança da população, anunciou também que vai abrir cinco mil vagas para polícia nos próximos dois anos.
 
Hollande quer controlos mais eficazes das fronteiras externas da União Europeia para evitar ter de voltar a fechar as nacionais e isso significar o desmantelamento da União Europeia.
 
O presidente francês anunciou que irá entregar um projeto de revisão da Constituição para alargar o período de Estado de Emergência para três meses e não só. A proposta de revisão deve permitir, por exemplo, o fim de alguém com dupla nacionalidade poder entrar em território francês se apresentar “risco de terrorismo”.

A França quer uma rápida implementação de um sistema coordenado e sistemático de fronteiras dentro da União Europeia e também nas barreiras externas da união. Hollande quer um acordo sobre o registo de passageiros em viagens aéreas ao nível da União Europeia.

No final da sua intervenção, cantou-se o hino de França, a Marselhesa.