À medida que a investigação avança, levanta-se o véu sobre a identidade dos autores dos atentados de sexta-feira, 13 de novembro, em Paris, que provocaram 129 mortos e 352 feridos. 

O jornal francês Le Monde fez um ponto de situação sobre o que se sabe até ao momento:

- Sete terroristas morreram nos atentados de sexta-feira à noite, mas um ou mais podem ainda estar em fuga.

- Dois  irmãos, de apelido Abdeslam, estão na mira das autoridades. Eram três, mas um deles foi esta segunda-feira libertado pelas autoridades belgas. 

Esta segunda-feira, novas informações vieram à tona. É conhecida a identidade do mentor dos ataques, um belga de nome Abdelhamid Abaaoud. Pouco mais se sabe sobre ele, a não ser que estará também ligado a ataques frustrados a um comboio e a uma igreja. : 
 

Primeiro grupo de terroristas, no Bataclan


Pelo menos três pessoas chegaram ao Bataclan às 21:49, num carro preto de marca Volkswagen Polo. Um foi abatido e os outros dois fizeram-se explodir. Para já, ainda só é conhecida a identidade de um deles.

Ismaël Omar Mostefaï (Identidade confirmada, morto)

Foi o primeiro terrorista a ser identificado. Com 29 anos, natural de Courcouronnes (Essonne), era um jovem pai de família e morava em Chartres. Era vigiado desde 2010 devido ao risco de radicalização islâmica, terá permanecido na Síria entre o outono de 2013 e a primavera de 2014.

Samy Amimour (identidade confirmada, morto)
 
Nascido a 15 de Outubro de 1987 em Paris e originário de Drancy. Foi um dos kamikaze da sala de espetáculos Bataclan. 

É conhecido da justiça antiterrorista desde 2012, quando em outubro desse ano foi acusado por associação criminosa terrorista, no âmbito de um ataque abortado a partir do Yémen. Nessa altura, ficou sob controlo judicial. Violou a fiscalização jurisdicional sob a qual estava abrangido, no outono de 2013, tendo a partir daí sido emitido um mandado internacional de prisão. Três pessoas do seu círculo familiar ficaram sob custódia policial, esta manhã.

Quanto ao terceiro homem-bomba, a identidade é desconhecida. Sabe-se que está morto. 
 

Segundo grupo de terroristas, no Stade de France


Três homens-bomba fizeram-se explodir entre as 21:20 e as 21:53 perto do Stade de France. Conhece-se a identidade de dois deles, mas apenas de um deles com toda a precisão.

Bilal Hadfi (Identidade confirmada, morto)

Francês nascido a 22 de janeiro de 1995, residente na Bélgica. Lutou na Síria com o Estado islâmico, de acordo com uma fonte da inteligência europeia citada pelo Washington Post.

Um homem portador de um passaporte sírio falso (Identidade confirmada, morto)

Perto do corpo de outro homem-bomba, no Stade de France, foi encontrado o passaporte de um sírio nascido a 10 de setembro de 1990, Ahmad Al-Mohammad, desconhecido para os serviços secretos franceses. Sabe-se que o passaporte era falso, mas as impressões digitais colocam-no num passado recente de passagem pela Grécia. As autoridades gregas informaram que o homem tinha atravessado a ilha de Leros a 3 de outubro, depois de passar pela Turquia. Entrou depois na Sérvia pela passagem fronteiriça de Presevo, onde pediu asilo, antes de ir para o acampamento croata de Opatovac a 8 de outubro e, em seguida, partir para a Hungria.

A ministra francesa da Justiça, Christiane Taubira, disse entretanto este domingo que o passaporte era falso, levantando dúvidas sobre a relação entre o passaporte sírio e os terroristas.

Há ainda um terceiro homem envolvido (Identidade não confirmada, morto)
 

Terceiro grupo de terroristas, nos bares dos 10º e 11º arrondissements


Pelo menos duas pessoas iniciaram às 21:25, dentro de um carro de marca Seat, uma ronda mortal ao bar Le Carillon e ao restaurante Le Petit Cambodge. Depois foram vistos às 21:32 no café Bonne Bière e às 21:36 no restaurante La Belle Équipe.

O carro foi encontrado, este domingo, em Montreuil com Kalashnikovs, mas nem a identidade, nem a localização atual dos ocupantes é conhecida.


Salah Abdeslam (Envolvimento não confirmado, em fuga)

Este francês, nascido a 15 de setembro de 1989, em Bruxelas, foi quem alugou o Polo preto do Bataclan.

Desconhece-se o papel que desempenhou nos ataques (ele estava no Seat com o terceiro grupo, ou foi apenas cúmplice?). Bélgica e França emitiram, entretanto, um mandado de captura internacional para este suspeito em fuga.

Salah Abdeslam passou por um controlo fronteiriço da polícia francesa, no sábado de manhã, em Cambrai, no norte do país, mas nem ele, nem as duas pessoas que o acompanhavam foram presos. Nessa altura, Salah Abdeslam ainda não estava sinalizado, nem a polícia estava no seu encalço. Só no final do dia é que os investigadores levantaram a suspeita de que poderia estar ligado aos ataques de Paris. Salah Abdeslam está atualmente em fuga.

 

Ibrahim Abdeslam (Identidade confirmada, morto)

Francês, nascido a 30 de julho de 1984, em Bruxelas, é o irmão mais velho de Salah Abdeslam. Ibrahim fez-se explodir às 21: 43 na cervejaria Comptoir Voltaire. Não se sabe se ele estava dentro do Seat com o terceiro grupo, mas sabe-se que foi ele que o alugou na Bélgica.
 

Outros suspeitos


O terceiro irmão Abdeslam (Envolvimento não confirmado, detido e entretanto libertado)
 
O irmão de Salah e Ibrahim Abdeslam foi detido, sábado, na Bélgica. As autoridades julgavam que se tratava de Salah, o que alugou o Polo preto. Não se sabe se ele foi implicado nos ataques. As informações sobre o que aconteceu após a detenção são contraditórias. O jornal francês Le Figaro e a agência France-Presse indicam que o suspeito foi entretanto libertado. Já a agência de notícias Belga, citando o Ministério Público da Bélgica, desmente que este "segundo irmão" tenha sido libertado. 

Os dois passageiros do carro no posto fronteiriço em Cambrai (Envolvimento não confirmado, detidos)

Não está claro se as duas pessoas que estavam no carro com Salah Abdeslam no controlo fronteiriço em Cambrai estão envolvidas nos ataques. Essas duas pessoas foram detidas, sábado à tarde, pela polícia belga em Molenbeek-Saint-Jean.

O pai e o irmão de Ismaël Omar Moustefaï (Envolvimento não confirmado, detidos)

Procedimento de rotina neste tipo de investigação, a polícia deteve no sábado, para averiguações, o pai e um dos irmãos de Ismael Omar Moustefaï. Não se sabe se estão envolvidos nos atentados. O irmão de Ismael apresentou-se voluntariamente na polícia.