Ismail Mostefai, um dos terroristas que atacou o Bataclan na noite de sexta-feira, em Paris, e que alegadamente tem ascendência portuguesa, era vizinho de um jihadista morto na Síria em junho. Ismail morava em Chartres, uma cidade pequena a menos de 100 quilómetros de Paris.

Vivia com a família numa casa acolhedora, ao fundo da rua da causa onde viveu Sofiane Sankawi, de 23 anos, que foi dado como morto em junho, na Síria, quando combatia nas fileiras do Estado Islâmico.
 
O pormenor vem levantar o medo acerca da existência de uma célula de recrutamento para o Estado Islâmico na região.
 
De acordo com o jornal britânico International Business Times, os vizinhos confirmaram que Sankawi vivia na mesma rua. O repórter do IBTimes tocou à campainha da casa do jihadista morto na Síria e ninguém atendeu. A casa pareceu-lhe vazia.
 
Ismail e o vizinho Sankawi terão frequentado a mesma mesquita, na cidade vizinha de Luce, pelo menos por um breve período de tempo. Não se sabe se eram amigos ou não, mas na vizinhança há quem estranhe a coincidência “bizarra” de os dois viverem tão próximo.
 
Além de vivierem na mesma rua, de frequentarem a mesma mesquita, Ismail terá também passado um período na Síria, no início de 2014, de acordo com o jornal Le Monde.
 
Dois fiés, frequentadores da mesquita de Luce, confirmam que Sankawi frequentou o local durante dois meses, em 2013. Nunca ninguém lhe reconheceu visões radicais. De acordo com fontes ligadas à investigação, Mostefai era frequentador assíduo dessa mesquita, uma informação que o responsável pelo espaço, Abdallah Benali, nega.
 
O imã diz mesmo que não conhece o atacante e garante à AFP que qualquer frequentador que revele posições extremistas é punido: “expulsamos que não respeite as regras ou se comporte como deve ser e alertamos as autoridades”.
 
Abdallah é responsável pela mesquita de Luce há apenas um ano, mas assegura que, também na vigência do anterior imã, não eram aceites posições extremistas na instituição. Abdallah Benali, em conferência de imprensa, condena os ataques em Paris.
 
Mostefai terá sido radicalizado por um imã marroquino a viver na Bélgica, de acordo com o Journal du Centre. Esse imã terá visitado Chartres várias vezes.