Um dos três suspeitos do ataque desta quarta-feira ao jornal satírico «Charlie Hebdo», em Paris, entregou-se à polícia, segundo fontes policiais citadas pela AFP.

Segundo a mesma agência noticiosa, o suspeito que se entregou é o mais novo dos três, chama-se Hamyd Mourad e tem 18 anos. Entregou-se na esquadra de Charleville-Mézières, na região de Champagne-Ardenne, a 232 quilómetros da capital francesa, por volta das 23:00, «depois de ter visto o seu nome a circular nas redes sociais».

«Foi detido e colocado sob custódia», confirmou uma das fontes policiais, sem confirmar a nacionalidade do jovem.

A polícia francesa divulgou entretanto um apelo na procura pelos outros dois suspeitos:
 
A polícia procura então por Chérif Kouachi e Said Kouachi, os dois irmãos de 32 e 34 anos que alguma imprensa francesa já tinha identificado como sendo dois dos suspeitos.

O apelo online pede a todos os que saibam algo sobre os dois irmãos que contactem as autoridades.

«Pedimos a todas as pessoas que tenham informações que possam permitir a localização dos dois indivíduos das fotografias que contactem o estado-maior da polícia judiciária de Paris através do número verde ou do site. Estas pessoas, suspeitas de estarem armadas e serem perigosas, são alvo de mandatos de captura do Parquet de Paris por causa dos crimes cometidos no dia 7 de janeiro sob o jornal Charlie Hebdo».


Os irmãos Kouachi têm nacionalidade francesa e já estavam referenciados como jihadistas pelos Serviços Secretos franceses. Segundo o «Libération», os irmãos Kouachi foram abandonados pelos pais, de origem argelina, quando eram crianças. Cresceram na cidade de Rennes mas, mais tarde, mudaram-se para Paris.

O passado dos irmãos jihadistas

Segundo a Associated Press, Chérif Kouachi já foi condenado a três anos de prisão, 18 meses dos quais de pena suspensa (ano e meio, portanto) por acusações relacionadas com terrorismo.

Na altura, em 2008, foi condenado por ter ajudado combatentes rebeldes do Iraque. Chérif confessou-se revoltado com a tortura a que os prisioneiros iraquianos eram sujeitos na prisão de Abu Ghraib, perto de Bagdade, pelos soldados norte-americanos.  Ao tribunal, mostrou-se convicto, ao dizer que «realmente acreditava na ideia» de lutar contra a coligação liderada pelos EUA no Iraque. Foi preso antes de viajar à Síria, como tinha planeado, para integrar treinos militares.

Três anos antes, em 2005, já tinha sido preso, quando se preparava para voar precisamente para esse país e, depois, para o Iraque. Vivia no 19º bairro de Paris, no setor iraquiano, onde alegadamente é realizado recrutamento de jihadistas.

Mais recentemente, em 2010, e segundo o «Le Monde», o seu nome também foi mencionado quando houve uma tentativa de fuga da prisão do ex-membro do Grupo Islâmico Armado argelino.

O que fez Hamyd Mourad?

Já o papel de Hamyd Mourad, o jovem que se entregou, ainda não é claro, uma vez que nas imagens que foram divulgadas ao longo do dia só se viam dois suspeitos. Segundo o jornal francês «Le Monde», o jovem será da família da esposa de Chérif Kouachi, ainda em fuga com o irmão mais velho Said.

Em França, a hashtag #MouradHamydInnocent está a ser utilizada como parte de uma campanha dos alegados conhecidos deste suspeito para denunciar a sua inocência.

Vários jovens têm escrito que Hamyd estava nas aulas quando o ataque ocorreu. Esta informação não é oficial nem foi confirmada por nenhuma fonte.




Revelada a lista completa das vítimas mortais:

- Charb, alcunha de Stéphane Charbonnier, 47 anos, cartoonista e diretor do jornal «Charlie Hebdo»;

- Cabu, Jean Cabut, 76 anos, cartoonista, considerado um dos melhores profissionais da área em França e um dos pilares do jornal. Também trabalhava para o jornal «Le Canard Enchaîné»;

- Georges Wolinksi, 80 anos, cartoonista, nos anos 60 integrou a revista satírica Hara-Kiri e mais tarde tornou-se numa das figuras principais do «Charlie Hebdo»;

- Tignous, ou Bernard Verlhac, 57 anos, cartoonista, trabalhava para o «Charlie Hebdo» e para a «Fluide Glacial»

Bernard Maris, ou «Oncle Bernard» (Tio Bernard), 68 anos, economista, cronista no «Charlie Hebdo» e acionista do jornal;

- Philippe Honoré, 73 anos, cartoonista no jornal;

 - Michel Renaud, fundador do diário de viagem «Clermon-Ferrand», foi chefe do gabinete do governador da capital de Auvergne;

- Franck Brinsolaro, 49 anos, polícia que fazia proteção ao diretor do jornal, Charb;

- Ahmed Merabet, 42 anos, polícia, membro da brigada VTT, uma brigada de polícias em bicicleta do distrito 11;

- Mustapha Ourrad, corretor;

- Fréderic Boisseau;

- Elsa Cayat, psicanalista e colunista;