Hayat Boumeddiene



«Quando vi que o autor do assassinato de Montrouge e do sequestro em Vincennes se chamava Amedy Coulibaly, soube de imediato que era o marido da Hayat», contou a melhor amiga da viúva do terrorista.

«Éramos muitos próximas… conheço muito bem a sua família, incluindo o seu pai, um homem de ouro. Temi que ele tivesse um ataque cardíaco quando chegou a notícia».

«Ela convidou-nos para um jantar de meninas com o seu pai… Queria dar-nos presentes que trouxera de Meca, onde peregrinou com Amedy em outubro passado. E recentemente, mandou-me uma mensagem escrita relacionada com religião, onde falava em misericórdia», cita o Le Parisien.

«Ao discutir religião, aconselhou-me a um dia deixar França, onde as mulheres de véu são por vezes insultadas. Disse: ‘França é um país inútil’», relatou a amiga sobre uma altura em que Amedy estava preso e Hayat sozinha, angustiada e perturbada.

Conta «Maya» que depois do reencontro a amiga mudou, e que Amedy dizia serem «histórias do passado». Apesar de dizer que quando estiveram juntos ele foi gentil e simpático, contou também que por vezes era um pouco estranho, e que desaparecia sem se saber porquê.

«Amedy é a sua vida. Não a imagino sem ele. Além disso, a família dele tinha-se tornado a família dela também».

«Isso deixou-o perturbado e deprimido. Ele tornou-se o homem da família».

«Não consigo imaginar nem por um instante. Mas eles estavam tão próximos ultimamente que o mais provável é que ela estivesse a par dos seus projetos. Acho que todos concordaram que ela se abrigaria na Síria», confidenciou.

«Quando se chateava, desculpava-se sempre com medo magoar as outras pessoas. Perguntou-me muitas vezes sobre os seus defeitos e esse tipo de coisas. Ela é incapaz de organizar tais horrores», assegurou.

«Eu tenho pavor de saber da Síria. Ela não vai suportar. Eles vão casá-la à força, colocá-la num acampamento ou algo do género. Ela não pode cometer suicídio, o Islão proíbe-o».

«Ela deve arrepender-se e pedir perdão pelo que aconteceu. Em segundo lugar, França continua a ser o seu país. Precisamos que seja feita justiça».