Uma amiga de infância de Hayat Boumeddiene, a mulher mais procurada de França, não consegue acreditar no envolvimento da jovem nos crimes do seu companheiro, Amedy Coulibaly, o atacante de Montrouge e sequestrador do supermercado judaico, em Paris, já abatido pela polícia.

A informação é avançada pelo Le Parisien, que escreve que «Maya», nome fictício, implora que a amiga, atualmente na Síria, se renda e se entregue à justiça.

O jornal parisiense conta que não foi necessário os meios de comunicação social divulgarem a fotografia de Amedy para a mulher de 26 anos o identificar, bastou o seu nome.

«Quando vi que o autor do assassinato de Montrouge e do sequestro em Vincennes se chamava Amedy Coulibaly, soube de imediato que era o marido da Hayat», contou a melhor amiga da viúva do terrorista.

«Maya» e Hayat estudaram juntas na escola primária, e depois no colégio em Villiers-sur-Marne.

«Éramos muitos próximas… conheço muito bem a sua família, incluindo o seu pai, um homem de ouro. Temi que ele tivesse um ataque cardíaco quando chegou a notícia».

A última vez que as amigas se viram foi há cerca de um mês, em Villiers.

«Ela convidou-nos para um jantar de meninas com o seu pai… Queria dar-nos presentes que trouxera de Meca, onde peregrinou com Amedy em outubro passado. E recentemente, mandou-me uma mensagem escrita relacionada com religião, onde falava em misericórdia», cita o Le Parisien.

Conta «Maya» que Hayat perdeu a mãe com apenas 8 anos, e que com cerca de 12 foi brevemente acolhida pelos serviços sociais, destacando, no entanto, que a amiga nunca foi infeliz. No entanto, quando o companheiro foi preso, a mulher sentia-se frequentemente revoltada.

«Ao discutir religião, aconselhou-me a um dia deixar França, onde as mulheres de véu são por vezes insultadas. Disse: ‘França é um país inútil’», relatou a amiga sobre uma altura em que Amedy estava preso e Hayat sozinha, angustiada e perturbada.

Conta «Maya» que depois do reencontro a amiga mudou, e que Amedy dizia serem «histórias do passado». Apesar de dizer que quando estiveram juntos ele foi gentil e simpático, contou também que por vezes era um pouco estranho, e que desaparecia sem se saber porquê.

A amiga descreveu-os, no entanto como «apaixonados» e que eram «tudo um para o outro».

«Amedy é a sua vida. Não a imagino sem ele. Além disso, a família dele tinha-se tornado a família dela também».

Questionada sobre o que o casal fez nos últimos meses, «Maya» contou que depois de Amedy acabar de cumprir pena, em março de 2014, Hayat acalmou, e que, para além de terem ido a Meca, estiveram também no Mali, onde Amedy visitou o túmulo do pai, que morreu enquanto esteve preso.

«Isso deixou-o perturbado e deprimido. Ele tornou-se o homem da família».

A amiga considerou que apesar de Hayat ser incapaz de orquestrar tais ataques terroristas, o mais provável é que soubesse dos projetos do marido.

«Não consigo imaginar nem por um instante. Mas eles estavam tão próximos ultimamente que o mais provável é que ela estivesse a par dos seus projetos. Acho que todos concordaram que ela se abrigaria na Síria», confidenciou.

«Maya» sublinhou que Hayat tem carácter, mas que «é uma menina frágil emocionalmente», «suave, às vezes um pouco criança», e que «muitas vezes chora e tem pouca confiança».

«Quando se chateava, desculpava-se sempre com medo magoar as outras pessoas. Perguntou-me muitas vezes sobre os seus defeitos e esse tipo de coisas. Ela é incapaz de organizar tais horrores», assegurou.

Ao diário francês, «Maya» disse ainda que tencionava enviar-lhe um email, mas que hesitou e não o fez.

«Eu tenho pavor de saber da Síria. Ela não vai suportar. Eles vão casá-la à força, colocá-la num acampamento ou algo do género. Ela não pode cometer suicídio, o Islão proíbe-o».

Se pudesse falar com Hayat, «Maya» diz que voltar a França e render-se seria o seu conselho.

«Ela deve arrepender-se e pedir perdão pelo que aconteceu. Em segundo lugar, França continua a ser o seu país. Precisamos que seja feita justiça».